Conectividade (Tadeu Felismino)

Expo-Inventos
O Norte do Paraná terá a rara oportunidade de conhecer o submarino nuclear da Marinha brasileira neste final de semana. Uma réplica do equipamento será apresentada na Exposição Brasileira de Inventos, que começa amanhã à noite e prossegue no sábado e no domingo na Usina do Conhecimento, situada no conjunto Parigot de Souza III (continuação da avenida Rio Branco). Delegações de 12 estados brasileiros expoem suas incríveis invenções no evento organizado pela Abripi-PR - Associação Brasileira de Inventores e da Propriedade Industrial.O novo pulo da Folha
Com mais de 50 anos, quando todos pensam que a Folha se tornou uma velha senhora, acomodada e previsível, ela abre sua caixa de surpresas e mostra que ainda é a principal escola de jornalismo do Paraná, sempre na vanguarda.
Não me refiro às não tão recentes mudanças editoriais e gráficas do jornal, mas sim a um novo jornal, ou uma nova mídia - a Internet - para veicular o mesmo jornal, que atende pelo nome de FolhaWeb.
Impressionou-me muito, em viagens ao exterior, a facilidade e rapidez com que se acessa e navega pelo jornal na Internet. Soube agora que o ‘‘site’’ da Folha recebe milhares de visitas diárias, de todo o mundo, e que ganhou prêmio nacional da Aberje no ano passado.
Não é pouca coisa.Das catacumbas
Além de excelente opção para o leitor e também para os anunciantes, a FolhaWeb produz informações preciosas para todos os departamentos do jornal, informando o número de visitas para cada ‘‘page view’’ do site, opiniões dos leitores etc.
A revolução vem sendo gestada na própria Folha, no mesmo subsolo onde há 30 anos a primeira impressora rotativa ‘‘off set’’ do Paraná (segunda do Brasil) veio encerrar o heróico ciclo das linotipos e rotoplanas.
(Começando no jornalismo, em 72/73, frequentei a última oficina de linotipos do jornal, autêntica oficina medieval, escura e insalubre. Ao lado dela, num espaço melhorzinho, Osvaldo Diniz comandava uma trupe criativa, formada por Dobleday, Tarzan, Coxinha, Marafa e outros apelidos infames, quase sempre inventados pelo Marcos Villa).Um ‘‘bruxo’’ evangélico
Pois o responsável pela FolhaWeb tem a irreverência da turma do Diniz, inclusive um rabo-de-cavalo e uma banda de rock, mas também veste-se com elegância, não fala palavrão como a ‘‘racinha’’, é evangélico praticante e, principalmente, um baita profissional de informática.
Você pode conhecer melhor esse ‘‘bruxo’’ da Folha através da coluna semanal que ele escreve para a Folha Higitehc, às quintas-feiras. Seu nome: Carlos Trindade, Cau para os íntimos.
OBS: se você está me lendo na Internet, clique no botão ‘‘quero dar minha opinião’’ e entre na conversa.Ruraltech-98
E a Expo-Londrina foi um sucesso, apesar das chuvas. Parabéns à Sociedade Rural, que realizou a mais bonita e melhor organizada de suas feiras, com mais de 700 mil visitantes.
Em sua primeira edição, a Mostra Internacional de Tecnologias para o Agronegócio - Ruraltech também aprovou, com muito mais acertos que erros.
A Mostra Competitiva, por exemplo, que reuniu 14 trabalhos concorrendo a U$ 18 mil em prêmios, ficou fraca como feira, uma vez que esses trabalhos são inéditos, ainda não foram lançados no mercado, nem mesmo têm material de publicidade (mesmo assim os participantes fizeram centenas de contatos interessantes).
No entanto, como concurso de tecnologias inovadoras para o agronegócio, a Ruraltech superou todas as expectativas.Foco na pequena empresa
O primeiro lugar (prêmio de U$ 10 mil), por exemplo, o escarificador que o Iapar desenvolveu para tratores de baixa potência, é um implemento de preparo do solo inovador, próprio para a pequena empresa rural, que usa esse tipo de trator, além de ser barato e preservar a terra.
O segundo lugar (U$ 5 mil), um implemento para cultivo de gengibre, faz em 16 horas o trabalho que o pequeno produtor demora mais de 200 horas para fazer com a enxada. E seus inventores, da Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo, descobriram na Ruraltech que o mesmo equipamento pode ser adaptado para culturas de batatinha, inhame, melão e outras.
O terceiro lugar (U$ 3 mil) também agrega valor à empresa rural, especialmente a pequena: a máquina de derriçar café desenvolvida pela Embrapa de São Carlos viabiliza a cafeicultura em terrenos com declividade e realiza o trabalho de 3 a 5 homens.Ministro entusiasmou-se
O Senai de Petrolina trouxe para a Ruraltech-98 uma solução que está fazendo sucesso no Nordeste: tecnologias para transformação de mangas em geléias e doces (mangada), com pouca química e excelente sabor, aproveitando os excedentes da safra nordestina, que frequentemente são descartados. Ganhou o quarto lugar.
Do quinto lugar em diante, só deu software, fazendo a organização da Ruraltech pensar em um evento específico para esse segmento, em 99.
Mas o ponto alto do evento foi a solenidade de premiação, realizada na presença do Ministro da Agricultura, Francisco Turra, do Secretário de Agricultura do Paraná, Antonio Leonel Polloni, do presidente da Sociedade Rural, Luiz Neme, entre outras autoridades.
Surpreso e impressionado com o nível da Ruraltech, o ministro quebrou o protocolo e elogiou: ‘‘Esse é o caminho para o agronegócio no Brasil, jovens pesquisadores e empresários buscando tecnologias para agregar valor à empresa rural’’.
Pólo Tecnológico
Metido até o pescoço na Expo-Londrina 98, como organizador da Ruraltech, somente pude acompanhar pela imprensa os últimos lances espetaculares envolvendo o setor de Telecomunicações em Londrina. Parece um sonho...
Se metade de tudo que foi anunciado acontecer, Londrina será um Pólo Tecnológico regional ou nacional, rivalizando com Campinas na área de Telecomunicações (semana que vem eu volto ao assunto).TADEU FELISMINO, jornalista e coordenador da Adetec, escreve neste espaço às quintas feiras.
E-MAIL: [email protected]

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