Conectividade (Tadeu Felismino)

Softex na Itália
Depois de cinco dias em Hannover com 50 software-houses do Pavilhão Brasileiro na CeBIT‘98, os empresários londrinenses Carlos Claret, Senclo Paes, Carlos Kasuya, Marcus Von Borstel, José Antonio Tranin e o araponguense José Cota Filho, ligados ao Núcleo do Programa Softex do Norte do Paraná, encontram-se na região da Emilia Romana, Norte da Itália, fazendo contatos com empresas e instituições italianas ligadas ao setor.
Eles vem conhecer o estágio tecnológico e de mercado do software italiano e discutir oportunidades de negócios e parcerias.
A iniciativa tem duas motivações básicas: a enorme afinidade cultural entre os dois países (a maioria dos empresários do Sul e Sudeste do Brasil são de origem italiana) e o trabalho de integração entre Norte do Paraná e Emilia Romana, que o Programa Paraná-Europa vem fazendo há anos, com seus escritórios em Londrina (na Codel) e na poderosa Câmara de Comércio e Indústria de Módena.Parceiros empresariais
Capitaneados por Rossana Veronesi, diretora do Paraná-Europa em Módena, visitamos ontem de manhã a Zuffellato Computers, principal empresa de informática de Ferrara, com 20 anos de atuação no mercado e faturamento anual superior a US$ 8 milhões em software e serviços.
Atuando como uma holding, que se associa a jovens empresários de software em empreendimentos promissores, sua diretora, Viltorina Zuffellato, manifestou interesse em conhecer melhor o catálogo de produtos do Softex Norte do Paraná, para sondar oportunidades.
Ao mesmo tempo, interessou-se por encontrar parceiros brasileiros para as soluções em geoprocessamento desenvolvidas por uma de suas associadas, a Geographics, que é dirigida por Riccardo Saporetti. As soluções da Geographics destinam-se a cidades, propriedades rurais, sistemas de água e esgoto e outras.Mercado regional
Segundo Zuffellato e Saporetti, o mercado italiano de informática é bastante regionalizado e, assim como no Brasil e no mundo, mais de 90% das softwares-houses são microempresas, com menos de 10 funcionários.
Apesar de numeroso, o setor não dispõe de uma Associação, com a brasileira Assespro, ou um programa de fomento como o Softex.
A impressão predominante é que, diferentemente de outros países, a Itália tem um bom nível tecnológico mas não despertou para a potencialidade do software como negócio em si, que movimenta mais de US$ 200 bilhões ao ano.
‘‘Aparentemente, aqui na Itália é cada um por si, o que deixa as empresas muito vulneráveis num mercado competitivo e sem fronteiras’’, diz Carlos Claret.Foco na indústria
A impressão ficou mais forte ontem à tarde, na visita que fizemos com Moris Bonacini e Rossana, do Paraná Europa, à Aster - Agência de Desenvolvimento Tecnológico da Emilia Romana. Para Paola Perini, que gerencia o programa Tecnologias para a Sociedade da Informação, o software é uma atividade-meio, de apoio aos segmentos industriais que são a prioridade da Aster, como têxtil, biomédico, máquinas agrícolas, plásticos, etc.
‘‘Nosso trabalho é promover a inovação tecnológica dentro das empresas’’ - explicou. ‘‘No final do processo, vamos buscar as soluções em software mais adequadas, sejam elas italianas, francesas ou americanas’’.
Provavelmente a falta de uma ação mais articulada nessa área seja uma das responsáveis pela pequena expressão italiana no mercado europeu de software, dominado por alemães, franceses e ingleses. Embora uma em cada três famílias tenha computador doméstico e 500 mil italianos estejam conectados à Internet.Cooperação tecnológica
Embora a tentativa de uma parceria no segmento sofware tenha esbarrado na diferença de enfoques, Debora Facchini, que trabalha no Programa de Cooperação Tecnológica Nacionale Internacional da Aster, recebeu muito bem a proposta do Paraná-Europa, de uma atuação articulada entre Aster e Adetec para o desenvolvimento de projetos de cooperação tecnológica entre grupos temáticos (empresas e instituições) da Emilia Romana e do Norte do Paraná. Nome da operação: Coopetec.
A idéia é construir um Parque Tecnológico Internacional de baixo para cima, a partir de projetos concretos que aproximem e integrem empresas e instituições das duas regiões. As primeiras parcerias serão definidas ainda neste primeiro semestre, para operacionalização no segundo e produção de resultados no ano que vem.Londritália
A primeira proposta, elaborada pelo consultor de design industrial, José Merege, de Curitiba, diz respeito a um grupo de 26 empresas do setor moveleiro, ligado ao Sindicato das Indústrias de Arapongas, que está interessado em parcerias.
Também estão adiantadas duas iniciativas visando a transferência do mundialmente famoso modelo das empresas familiares de artesanato alimentar, da Emília Romana para o Norte do Paraná.
Uma delas visa fornecer parcerias empresariais entre empresas das duas regiões, com recursos da Comunidade Européia (ECIP); a outra é o projeto ‘‘Londritália’’, coordenado pelo secretário municipal de Agricultura, Samir Kury, que está selecionando 60 artesãos de Londrina para receber, ainda este ano, treinamento de técnicos italianos, além de enviar jovens londrinenses para residir por um ano com famílias de artesãos italianos.Tadeu Felismino, jornalista, professor da UEL e coordenador da Adetec, escreve neste espaço às quintas.
E-MAIL: tadeufªinbrapenet.com.br
O colunista viaja à Alemanha e Itália com apoio do CNPq, Adetec e Varig.

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