Conectividade (Tadeu Felismino)

Incubadora mais tecnológica
Com três anos de idade, completados em dezembro, a Incubadora Industrial de Londrina, criada e mantida pela Codel com o objetivo de orientar e fortalecer indústrias nascentes da cidade, está adquirindo um perfil cada vez mais tecnológico. Ao contrário do primeiro grupo de incubadas, em que mais de 50% das 22 vagas eram ocupadas por indústrias do setor de confecções, hoje todas as 20 incubadas apresentam inovações e mais de 70% são de base tecnológica, predominantemente das áreas de eletroeletrônica, informática e química.O sucesso do Economilux
OINCIL, segundo o gerente Silas Barros, da Adetec, é o Economilux, um sistema inteligente de gerenciamento de rede pública de energia elétrica, que permite economia superior a 15% nos gastos de prefeituras com iluminação pública. Desenvolvido pela Spyctron dentro da Incubadora, o Economilux já ganhou repercussão nacional e a Prefeitura de Londrina prepara um teste, numa região da cidade, para ser a primeira do País a implantar o sistema.A força do software
Mas o segmento que mais cresce dentro da Incubadora Industrial de Londrina é o de software, graças a outro programa coordenado pela Adetec, o SOFTEX 2000. Com a implantação, em 96, de um laboratório de software do Núcleo Softex do Norte do Paraná nas dependências da INCIL, já são 5 ‘‘software-houses’’ incubadas, duas delas incentivadas também por bolsas do CNPq concedidas pela Adetec: a Dextera, que desenvolve um software gerenciador de hotéis, e a Autosoft, que prepara o software ‘‘Shopping Virtual’’, a ser implantado no Auto-Shopping Londrina e já em negociações nos Estados Unidos.Parceria com o ‘‘Genesis’’
A mais recente novidade da parceria INCIL-SOFTEX foi a admissão, em janeiro, de duas empresas recém nascidas do Projeto Gênesis, a ‘‘perna’’ que o Softex criou dentro das universidades, com o objetivo de estimular o surgimento de novas empresas entre estudantes e recém-formados. Selecionada entre 20 universidade brasileiras, deixando para trás gigantes como UNICAMP, URFJ e outras, a Universidade Estadual de Londrina tem um dos mais ativos Núcleos do projeto Gênesis do país, com mais de 10 projetos incentivados, envolvendo alunos e recém formados não só da UEL, mas também da UNOPAR e CESULON. Além das duas empresas que foram para a Incubadora, há outras também graduadas entrando no mercado. Uma delas, com um software educativo sobre AIDS, com certeza vai dar muito o que falar....O papel da INCIL
Metido até o pescoço com a atração de novos investimentos e com a implantação da Cidade Industrial de Londrina, Alex Canziani acompanha com atenção a evolução da Incubadora da Codel: ‘‘Mais do que uma ferramenta para criar e apoiar novas indústrias no seu período mais crítico de existência, que são os primeiros dois-três anos, a INCIL é um espaço importante para a criação de uma cultura industrial própria de Londrina; nós temos consciência que a industrialização de uma cidade não se faz só com investimentos externos, mas com o apoio e fortalecimento dos empreendimentos locais’’- pondera. Os resultados diretos da Incubadora não são nada desprezíveis: entre 37 empresas já incubadas, a metade já graduada, a taxa de mortalidade, normalmente de 80% nos primeiros anos, ficou abaixo de 20%; sem contar mais de 500 empregos diretos e indiretos gerados.Reconhecimento nacional
Odividendos e reconhecimento. Num concurso nacional organizado pelo CNPq, em 96, com a participação de 33 incubadoras brasileiras, a de Londrina conquistou o maior volume de recursos - R$ 143 mil. Com o prêmio, a INCIL conseguiu incorporar à sua equipe, como bolsistas, profissionais das áreas de economia e finanças, design, informática e outros, para prestar um assessoramento mais especializado às empresas incubadas.Fundo de Tecnologia
A Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia trabalha a todo vapor na implantação da Lei que regulamentou o famoso artigo 205 da Constituição Estadual, aquele que destina 2% da receita tributária do Estado para o setor de C&T - aproximadamente R$ 60 milhões por ano. Estão sendo criados o Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, que vai coordenar o Fundo Estadual e supervisionar duas fundações, a Paraná Tecnologia, que ficará com 70% dos recursos, e a Araucária, que terá 30% para o setor acadêmico. Há grande expectativa em relação aos 50% do Fundo Estadual, a cargo da Paraná Tecnologia, que serão destinados a projetos estratégicos, entre eles o IAPAR, a Universidade do Campo, Universidade das Américas e outros. As entidades tecnológicas do Estado, como CITPAR e CITS em Curitiba, FUNDETEC de Cascavel, ITAI de Foz do Iguaçu, ADETEC de Londrina, e outras, começam a articular para participar e influir no processo.
TADEU FELISMINO, jornalista, professor da UEL e coordenador da ADETEC, escreve neste espaço às terças-feiras.
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