Conectividade (Tadeu Felismino)
CONECTIVIDADE
Tadeu Felismino
Música para os ouvidos
E o Paraná, quem diria, está incomodando o Grande Irmão do Norte, São Paulo...
Nas últimas semanas, ninguém menos que o governador Mário Covas veio a público queixar-se contra a concorrência paranaense na atração de investimentos, especialmente as montadoras.
Aqui para nós, tais queixumes são como música para nossos ouvidos. Se o Estado que representa mais de 50% do PIB nacional está se incomodando com um Estado que sempre foi um quintal do Brasil, sem tradição industrial e sem maior peso político, é porque, no mínimo, estamos cometendo mais acertos do que erros.
Assino embaixo o comentário do prefeito Antonio Belinati, semana passada, a respeito da polêmica: os paranaenses devem aplaudir seu governo, que em três anos atraiu mais de 600 empresas para o Estado, totalizando mais de R$ 10 bilhões em investimentos.Exemplo de Curitiba
Sobre as críticas internas ao comprometimento das finanças estaduais no futuro, elas me fazem lembrar a velha polêmica sobre a Cidade Industrial de Curitiba, que Lerner implantou quando prefeito da capital, nos anos 70.
De fato, a CIC deixou uma pendura milionária e causou indignação em outras regiões do estado. Mas também é verdade que a CIC teve um papel decisivo para a elevação de Curitiba da condição de província meio boboca, cidade de funcionários públicos, para a metrópole industrial, tecnológica e cultural que é hoje, com projeção até mundial.
Aliás, se não fosse essa transformação, que fez a região de Curitiba concentrar mais de 30% das riquezas e dos votos do Paraná, dificilmente um curitibano como Lerner seria governador do Estado.Um novo paradigma
Hoje, ao final de seu mandato como governador, tudo indica que Lerner já conseguiu estabelecer um novo paradigma de desenvolvimento para o Paraná, alicerçado na indústria, predominantemente de base tecnológica e voltada para o mercado global.
Não é pouca coisa. Ainda mais para São Paulo, que até já anexou o Paraná, no tempo do Império, e depois, na devolução, comeu um pedaço da nossa região nordeste (a rica Cananéia).
No embalo que vamos, não duvidem se Curitiba for, dentro de alguns anos, a primeira cidade brasileira a sediar uma Olimpíada.Disque-Tecnologia
A Universidade de Londrina dá um novo e decisivo passo para integrar-se ao meio empresarial da região, colocando à disposição do mercado serviços especializados de mais de 300 professores e técnicos das mais de 30 áreas de atuação da instituição. Trata-se do DISQTEC, um serviço de atendimento a consultas de natureza tecnológica, administrativa, de aprimoramento profissional e de produtos e processos.
As consultas podem ser feitas por fax, e-mail, carta, contato pessoal ou telefone (043-371-4426), em horário comercial, e o serviço garante retorno 24 horas após a solicitação.
A ênfase do Disque-Tecnologia, segundo seu coordenador, prof. Laurenil Gaste, é para pequenas e micro empresas e também setor informal.CTE no gatilho
Por falar em UEL, só falta o governador Jaime Lerner marcar data para vir a Londrina assinar o convênio instituindo o Centro Tecnológico Empresarial - CTE, uma estrutura de laboratórios que será montada pela Copel e Sercomtel, dentro do campus universitário, para dar suporte ao curso de Engenharia Elétrica e às empresas da região.
O convênio, costurado durante meses pelo LAC de Curitiba e Adetec, está nas mãos do secretário geral da Prefeitura, Gino Azolini, pronto para ser assinado.
Como se trata de um projeto de grande impacto tecnológico para a região, a presença de Lerner é considerada indispensável.Tecnocentro
Numa época de globalização, Londrina conversa com o mundo todo, através de diversos programas e ações. Mas a sintonia vai ficando cada vez mais fina com a Itália, especialmente Módena e a Região da Emília Romana, por conta do Programa Paraná-Europa. E com o Japão, em função de um trabalho de décadas do deputano Antonio Ueno, que recentemente ganhou um aliado de peso, o empresário Kentaro Takahara.
Braço direito de Alex Canziani na implantação do PDI - Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina, Kentaro tem armado diversas ações junto a JETRO e JICA, agências japonesas de fomento e cooperação internacional, entre as quais vai ganhando forma e força a idéia do Tecnocentro, Condomínio Industrial de Base Tecnológica.
A boa notícia do último sábado é que o primeiro Tecnocentro de Londrina pode sair ainda em 98, nas instalações da Toyo Sen I, no Patrimônio Selva, para abrigar 20 indústrias com alta demanda de esgoto industrial.Softex Norte do Paraná
Termina na próxima sexta o prazo para empresas de software do eixo Londrina-Maringá, filiadas ao Núcleo Softex-NPR, apresentarem seus projetos para concorrer a recursos do CNPq. O Núcleo já distribuiu R$ 500 mil em dois anos e tem um saldo de R$ 50 mil para este semestre.Resultados da Adetec
Em três anos de atuação, a Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina trouxe mais de R$ 3 milhões em recursos diretos (dinheiro e equipamentos) para projetos tecnológicos da cidade e região. Sem contar resultados indiretos, como empresas e empregos gerados, parcerias, serviços e projetos estratégicos.
TADEU FELISMINO, jornalista, professor da UEL e coordenador da Adetec, escreve neste espaço às terças





