Conectividade (Tadeu Felismino)
Depois de anos incensando o milagre asiático, patrocinado pelo Japão na década de 60, depois por Hong Kong, Coréia, Cingapura e Taiwan nos anos 80 e, finalmente, pela Tailândia, Malásia, Indonésia e regiões costeiras da China comunista, nesta década, analistas e autoridades de todo o mundo buscam explicações para o desmoronamento do modelo, que gerou efeitos perversos em toda a economia mundial, um clima de baixo astral neste fim de ano e grandes incertezas para 98. Embora o efeito montanha russa ainda não tenha passado, já começam a chegar até nós, míseros mortais, análises bem estruturadas sobre o fenômeno.Deficit democrático
Do pouco que tenho lido, recomendo o artigo de Roberto Campos, que a Folha de São Paulo publicou no domingo - Será que os tigres viraram vegetarianos? Nem tanto por suas conclusões, que sempre caem no mesmo refrão, a defesa do liberalismo econômico, mas pelas informações e conceitos que articula. Por exemplo:
* Na peripécia do desenvolvimento, há duas tarefas diferentes: a do grande salto adiante e a do desenvolvimento sustentado. Até a crise recente, os tigres pareciam ter resolvido ambos os problemas. Hoje se sabe que ainda não dominaram a tecnologia do desenvolvimento sustentado.
* Historicamente podem-se distinguir três métodos de arrancada: o big push (grande empuxe), a industrialização substitutiva de importações e o da plataforma de exportação, modelo razoavelmente bem sucedido na Ásia, em que países pequenos se transformaram em plataformas de exportação, capacitando seus mercados para reduzir custos e atrair investimentos.
* As realizações asiáticas não devem ser subestimadas. Superaram a América Latina na redução da pobreza, na diminuição das desigualdades de renda, na escolaridade da mão-de-obra, na velocidade da absorção de tecnologia e na eficiência exportadora.
* No período 1965-1995, a renda por habitante cresceu sete vezes nos quatro tigres e quatro vezes no sudeste da Ásia.
* Havia até recentemente uma excessiva empáfia dos asiáticos quanto à superioridade dos valores asiáticos de solidariedade grupal, comparativamente ao individualismo ocidental. Hoje se verifica que o déficit democrático inerente ao autoritarismo confuciano tem um insuspeitado poder de distorção.E a Kumho?
Ainda atordoado por 12 horas de fuso, o vice-prefeito Alex Canziani traz algumas impressões fortes de sua viagem de 19 dias pelo Japão, Coréia e Hong Kong, em companhia de uma delegação de 30 pessoas liderada pela vice-governadora Emília Belinati e organizada pelo deputado Antonio Ueno.
* Os coreanos ainda estão perplexos com o desmoronamento de sua economia, mas exibem enorme solidariedade e engajamento nos esforços do país para superar as dificuldades;
* A palavra de ordem do cidadão comum é economia em tudo, começando com economia de luz, etc;
* Em meio à quebradeira, as empresas sobreviventes tiveram outro susto com a eleição do oposicionista Kim Dae Jung, que ameaçava não honrar os compromissos com o FMI;
* Apesar da instabilidade, o chairman da Kumho assegurou a Alex Canziani que o projeto da indústria para Londrina está de pé e que um representante vem à cidade em fins de janeiro para definir o terreno para a construção.Tecnocenter
Em Hong Kong a comitiva paranaense foi conhecer o Tecnocenter de Xingzen, modelo desenvolvido pela Jetro (agência japonesa de tecnologia) e que Canziani pretende implantar na Cidade Industrial de Londrina, o primeiro deles para abrigar empresas que darão suporte à Beta Sul. As relações de Londrina com a Jetro, aliás, estão ótimas: além de ter organizado o Simpósio Brasil-Japão, para a comitiva paranaense, seus dirigentes incluíram Londrina na agenda de uma missão de investidores japoneses que vem ao Brasil em fevereiro, em busca de oportunidades de investimentos. É a única cidade do interior em tal agenda.O prestígio de Ueno
Em plena crise das bolsas, o ministro da Fazenda do Japão recebeu a comitiva liderada por Emília Belinati. E a família imperial também. Tudo por conta do incrível trânsito do deputado Antonio Ueno.Embrapa em alta
O chefe do Centro Nacional de Pesquisa da Soja da Embrapa, com sede em Londrina, Francisco de Toledo, está terminando 97 rindo à toa. Em seus três anos no cargo, ele e sua equipe conseguiram que as variedades de soja desenvolvidas pela Embrapa se alastrassem pelo País: de 3 por cento da área plantada, há 3 anos, essas variedades hoje respondem por 80 por cento da produção nacional. Tudo em parcerias com o setor privado e ainda gerando royalties para a Empresa.Belinati na Itália





