Conectividade (Tadeu Felismino)
Conectividade Tadeu Felismino
Norte da Itália
-Em menos de 30 dias, tenho o privilégio de fazer visitas técnicas a duas regiões que são referências mundiais em desenvolvimento econômico e social, sustentado tecnologicamente, e qualidade de vida. Há três semanas conheci o Silicon Valley, na Califórnia, espécie de capital tecnológica e econômica do planeta nesta segunda metade do século 20, com renda per capita superior a U$ 70 mil/ano. Entre diversas parcerias engatilhadas, já está praticamente certa a implantação de uma empresa de software de Londrina, a Autosoft, na Incubadora Internacional de Negócios de San Jose. Agora, participo de uma missão de Londrina aqui no Norte da Itália, cujo modelo da pequena empresa, com alto conteúdo tecnológico e altíssimo valor agregado, tornou-se referência para a Europa e o mundo, tendo merecido reiteradas menções do presidente Bill Clinton.Expo-Londrina e RuralTech
-Em companhia de Samir Cury, Secretário de Agricultura e Abastecimento de Londrina, e do empresário José Mascaro Garcia Molina, da Sociedade Rural do Paraná, encetamos um esforço, articulado pelo Programa Paraná-Europa de Remo Veronezzi, para internacionalizar a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina e levar tecnologia desta região para a RURALTECH - Mostra Internacional de Tecnologias para o Agronegócio, que acontece dentro da Expo-Londrina, de 9 a 19 de abril. Não entrarei em detalhes de nossa programação, porque a jornalista Regina Toledo, que nos acompanha, está cuidando disso com a habitual competência. Quero apenas registrar um agradecimento ao CNPq, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, à Varig/Rio Sul e à Folha, que tornam possível este trabalho.Hermas Brandão
-Estava praticamente certa a participação do secretário de Agricultura do Paraná, deputado Hermas Brandão, nesta viagem por Módena, Ravena, Parma, Reggio Emilia e Bologna. Ele teve que cancelar para girar pelo Estado, nesta semana, distribuindo 60 mil cheques para produtores rurais, para aquisição de sementes de milho. Programas semelhantes tiveram excelente impacto no desempenho da pequena propriedade paranaense, financiando, a fundo perdido, aquisição de calcário, semente de algodão e mudas de café. Com investimento total de R$ 40 milhões, a SEAB-PR conseguiu, entre outros resultados, tirar o Paraná do 5º lugar como produtor de café, há 3 anos, para 2º lugar em 1998.João Jabur
-Algumas semanas atrás, num comentário sobre a vinda da Kumho para Londrina, contive o impulso de prestar uma homenagem a um jovem empresário, que teve papel determinante nesse empreendimento. Fi-lo (ops!) para não azarar, inclusive porque esse empresário vem de uma fase difícil e de uma recuperação um tanto heróica, para o bem de Londrina e alegria de seus amigos e admiradores. Agora que tudo está consumado, permitam-me saudar a volta do João Jabur à cena pública, devidamente testado e aprovado no seu batismo de fogo.Charada
-Uma borboleta me disse que Londrina terá, brevemente, uma indústria de munições, inclusive para abastecer as Forças Armadas do Brasil. BRDE, 35 anos
-R$ 18 bilhões investidos em 34 mil projetos de 7 mil empresas, gerando 2,5 milhões de empregos e R$ 4 bilhões em ICMS. Eis alguns resultados do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, que há 35 anos fomenta o desenvolvimento dos três Estados do Sul. Somente em 97, foram R$ 1,5 bilhão em investimentos, R$ 300 milhões para o setor de autopeças, gerando 110 mil novos empregos. De olho na mudança do perfil regional, com a vinda das montadoras, o BRDE prepara novos saltos para 1998, segundo seu presidente, o paranaense Fernando Fontana.Brasil na Comdex
-Dados finais da participação brasileira na Comdex Fall, em Las Vegas: 1.200 visitantes cadastrados, de 35 nacionalidades, quase o dobro do ano passado; 35% manifestaram interesse em distribuir produtos brasileiros para 27 diferentes países; 2 empresas fecharam 9 negócios durante a feira, num potencial de US$ 2 milhões. Esta foi a quinta edição do Brazilian Pavilion na Comdex, bancado pelo CNPq, Finep, Sebrae, Ministério das Relações Exteriores e Assespro e organizado pelos Núcleos Softex de Campinas, Brasília, Porto Alegre e São Paulo.Cadê? na China
-O mais procurado serviço brasileiro de informações na Internet, o Cadê?, está rodando na China desde o ano passado, batizado como Beijixing. De 29 mil consultas em janeiro de 96, o programa saltou para 2,5 milhões um ano depois. Neste mês, a Aitech e a KD Sistemas assinam contrato de joint venture com o Instituto de Ciência e Tecnologia da Informação da China, para faturarem em cima do sucesso do programa. O apoio do China Office, escritório do Programa Softex na China, foi decisivo para o resultado do empreendimento.Paraná-China
-A Funpar - Fundação da Universidade Federal do Paraná organizou uma missão com 18 técnicos de diversas instituições paranaenses para conhecer parques tecnológicos da China e Japão. Para Ubiratan de Lara, da FIEP, os chineses roubaram a cena:
* As maiores empresas do mundo estão investindo maciçamente, transformando a China num formidável canteiro de obras, maior que a Alemanha pós-Muro de Berlim;
* A meta do governo chinês é atingir, em 20 anos, um PIB igual ao dos EUA hoje;
* Os Parques Tecnológicos são cortes na sociedade, que abrigam uma elite formada por profissionais de até 35 anos, que falam inglês e dominam a informática;
* O jovem chinês não está preocupado com política, ele quer emprego, salário e consumo;
* Ao mesmo tempo que recebe investimentos da Volks, Audi, Intel, HP e outras, o governo quer formar o empresário chinês, o que é feito em Incubadoras nos 70 Parques Tecnológicos, cada parque com milhares de indústrias;
* O governo chinês também está repatriando cérebros e capitais chineses espalhados pelo mundo;
* Sem dúvida, a China é a grande potência emergente do próximo século.
TADEU FELISMINO, jornalista, professor da UEL e coordenador da Adetec, escreve neste espaço às terças.





