Cone Sul planeja combate ao bicudo no algodão
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Bruno Marfinati<br> Reuters 
São Paulo - O Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia devem definir um programa conjunto para combater o inseto bicudo nas lavouras de algodão, informou ontem o Ministério da Agricultura brasileiro. De acordo com o ministério, o objetivo é regionalizar o controle da praga com apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). ''As particularidades são diferentes nos quatro países, mas o objetivo é criar planos nacionais para o combate à praga'', afirmou o professor e pesquisador da Universidade Federal do Mato Grosso, Paulo Degrande.
Segundo ele, a proposta ainda não é de erradicação e sim de organizar o controle, suprimir a praga e, numa terceira etapa baseada em pesquisas, fazer a erradicação.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, já está conversando com os seus colegas dos países vizinhos para definir um cronograma de ações.''Podemos desenvolver um projeto no Brasil, mas o ideal é fazer um esforço conjunto envolvendo todas as regiões produtoras para não deixar espaço para a disseminação da praga'', disse o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Hélio Tollini.
No Brasil, o inseto já está presente em 70% da região algodoeira. ''É uma praga que preocupa e sempre precisa manter vigilância'', disse Tollini. De acordo com Degrande, já existem programas de controle do inseto. Antes, a quebra na produtividade era de 5% a 35%, e os casos mais graves estavam nos estados de Goiás, São Paulo e Bahia.
''Em Goiás, por exemplo, foi implantado o controle regional e o quadro reverteu. Os danos não passam de 5% e o número de aplicações de inseticidas diminuiu de 15% a 20% simplesmemte com a organização dos métodos de controle'', disse Degrande, acrescentando que o programa está tendo repercussão em outras regiões.''(O controle) tem resultado em danos menores, menor aplicação de inseticida, baixo impacto ambiental e prejuízo reduzido.''
Algodão transgênico - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou no início do mês que colocará em cinco anos no mercado a primeira variedade transgênica brasileira de algodão que terá uma enzima inseticida para combater o bicudo.
O inseto, que chegou ao Brasil em 1983 e pode destruir as lavouras se não for controlado, se alimenta e coloca seus ovos em botões florais novos, elevando o percentual de queda de frutos.
A enzima atacará o colesterol das membranas intestinais do bicudo, interferindo no crescimento e levando-o à morte. De acordo com a Embrapa, o Brasil gasta atualmente cerca de 900 milhões de dólares no controle de insetos do algodão.
O quinto levantamento da safra 2003/04 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em junho deste ano, apontou um crescimento de 45,3% da área cultivada com algodão no País na atual safra (2003/04), para 1.067,9 mil hectares, ante 735,1 mil em 2002/03.


