A América Latina mantém um bom rumo, apesar das contingências da crise asiática, e terá todo o apoio necessário dos institutos internacionais de financiamento, afirmaram ontem os responsáveis pelo FMI, Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento, em uma entrevista conjunta.
Ao final de dois dias de reuniões com as máximas autoridades financeiras de Estados Unidos, Canadá e dos nove maiores países da América Latina, os dirigentes dos três institutos com sede em Washington reconheceram que a crise já chegou à região, mas aprovaram amplamente as medidas adotadas para enfrenta-lá.
Enquanto as Bolsas da América Latina prosseguiam despencando, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Michel Camdessus, afirmava que o instituto buscará ‘‘novos instrumentos’’ para tratar de levar os investidores ‘‘a análise correta’’ da situação dos mercados.
O ministro brasileiro da Fazenda, Pedro Malan, e seus colegas de México e Argentina, Angel Gurría e Roque Fernández, acusaram os analistas financeiros internacionais de ‘‘colocar todos no mesmo saco’’, ignorando os esforços dos que fizeram sacrifícios para colocar a casa em ordem. Camdessus destacou que em sua análise, a Moody’s não levou em conta as reformas estruturais e outras medidas aplicadas pelo Brasil e outros países latino-americanos para sanear suas economias.
James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial, assinalou que em uma análise ‘‘mais madura’’ da situação para orientar investimentos a América Latina ‘‘ficaria muito próxima ao topo da lista’’. Enrique Iglesias, presidente do BID, elogiou a ‘‘nova geração’’ de ministros da área econômica na América Latina, assinalando o profissionalismo, pragmatismo e eficiência destes funcionários, que representam governos eleitos democraticamente que se esforçam para obter um alto nível de crescimento qualitativo em seus países. Camdessus admitiu que a situação criada pela crise asiática é grave e até perigosa, ameaçando reduzir o crescimento econômico e levar, talvez, a uma recessão. (France Presse)

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