César Augusto‘Vestibular do trabalho’Briga por uma vaga no serviço público fortalece segmento dos cursos preparatórios: em Londrina, as salas estão lotadas de candidatosÉ cada vez maior o número de pessoas - principalmente mulheres, ex-bancários e descendentes de japoneses - que se dedicam exclusivamente aos concursos públicos federais. Todos procuram salários que chegam R$ 5.000 e acabam fortalecendo um segmento até então insignificante em Londrina, o de cursos preparatórios, específicos.
‘‘Ser aprovado em concurso público é a melhor forma de garantir um futuro estável, seguro, com um rendimento mensal muito acima do mercado e ainda com alguns benefícios que só as grandes empresas ou corporações oferecem’’. Quem afirma é consultora para a área de concursos públicos: Cristina Chenço, da escola Pró-Ensino/Integral, uma das quatro da cidade especializadas no ramo.
Ela conta que quem vem se preparando há algum tempo já sabe que todos os meses são publicados editais de concursos em diversos setores do serviço público. ‘‘Até cerca de três ou quatro anos atrás, os interessados muitas vezes tomavam conhecimento da publicação do edital quando as inscrições já estavam em andamento, ou mesmo encerradas’’, diz ela. ‘‘Essas pessoas viam as disciplinas e já ficavam desanimadas, até mesmo porque era difícil encontrar material didático específico’’.
Essa realidade está mudando, continua a consultora: ‘‘O candidato de Londrina, do Paraná, aliás, já tem a consciência do paulista e do carioca; ele sabe que se não começar a se preparar com antecedência, sairá sempre em desvantagem. A postura do candidato paulista - especialmente o paulistano - e do carioca tem garantido sua aprovação em número bem superior a todos os candidatos de todos os outros estados.’’
Cristina explica que, com a padronização dos concursos, não é preciso ter um edital em mãos para começar a estudar. Basta observar algumas regras: 1) sempre que um concurso for para a área fiscal (do INSS, do Trabalho, das Receitas Federal e Estadual), ele trará, necessariamente, em seu programa as disciplinas Direito Tributário e Contabilidade.
Paulo WolfgangCristina Chenço: ‘‘‘Forma de garantir um futuro estável’’
Item 2) concursos que exigem o 3º Grau normalmente trazem programas de contabilidade geral e de custos, análise de balanço e auditoria em nível menos ou mais profundo. 3) Todo concurso público, principalmente os federais, terão em seus programas Direito Constitucional (base de formação do cidadão) e Direito Administrativo - ‘‘poderíamos dizer, a grosso modo, que o direito administrativo é o direito trabalhista do servidor público, já que nele estão inseridas todas as normas referentes aos direitos e às obrigações do servidor público’’ - comenta a consultora.
Ela continua citando: 3) qualquer concurso público terá obrigatoriamente prova de língua portuguesa, às vezes até com peso maior que o de outras disciplinas ou usada como critério de desempate - ‘‘as provas vêm sendo elaboradas com textos longos e vocabulário complexo, diferente do português do dia-a-dia; derrubam muitos candidatos’’ - observa.
Outras regrinhas: disciplinas como estatística e matemática financeira também costumam frequentar os concursos, principalmente os de 3º Grau, que também costumam incluir uma língua estrangeira (quase sempre o inglês, nos concursos para fiscalização federal ou em estados mais desenvolvidos). No caso de auditor fiscal do Tesouro Nacional, por exemplo, o candidato tem a possibilidade de optar - no ato da inscrição - pelo inglês, francês ou espanhol.
Com essas informações, o candidato deve então começar a adquirir os materiais de estudo, como uma boa apostila de Contabilidade. Também precisa ter um Código Tributário Nacional, uma cópia da Lei 8112/90 para Direito Administrativo, a Constituição da República e uma boa gramática. Vai contar muito o hábito de leitura do candidato, de textos literários, informativos, jornalísticos. O dicionário ‘‘Aurélio’’ é outra peça fundamental.
‘‘Os dekasseguis, as mulheres que não tinham mais pretensões profissionais e os bancários que aderiram aos programas de demissão voluntária já estão se especializando’’, revela a consultora, incluindo ainda no grupo engenheiros, médicos, agrônomos, farmacêuticos. Uma pesquisa da escola constatou que a maioria (53%) dos alunos é descendente de japonês. De todos os alunos, ainda, 56% são mulheres (casadas, com filhos). A idade vai dos 25 aos 60 anos.
Um curso do gênero fica na faixa de R$ 300 a R$ 700, dependendo do nível (médio ou superior) e com o material de apoio. Já o valor das inscrições para os concursos vai de R$ 25 a R$ 40 e de R$ 75 a R$ 100. Aí depende, também, do nível em questão.
Cristina informa ainda que normalmente são 300 horas/aula para turmas de 25 (grupo vip) a 60 pessoas. ‘‘Ensinamos a eles que é preciso ter, acima de tudo, muita disciplina e condicionamento. O ideal é estudar sempre no mesmo local e no mesmo horário, fazendo uma média de quatro/horas/dia. Uma outra dica é que a cada 15 ou 20 minutos, por exemplo, a pessoa faça um alongamento. Isso melhora muito o rendimento’’.

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