Concurso premia esforço de cafeicultor
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O café produzido no Paraná reúne as características ideais para compor os melhores ''blends'' do mundo. A comprovação dessa qualidade é do concurso Café Qualidade Paraná, instituído este ano para valorizar a produção do Estado. O concurso premiou os produtores Gonçalo Marques Pereira, de Londrina, e Luiz Boraneli, de Curiúva, vencedores do concurso nas categorias ''Natural'' e ''Cereja Descascado''.
Apesar do esforço dos produtores em melhorar a qualidade da produção, o café paranaense ainda é vendido com 15% de deságio em relação à produção de estados produtores como Minas Gerais e Espírito Santo. Para o coordenador do concurso, o engenheiro agrônomo da Emater/PR, Edson José Trento, o processo de melhoria da qualidade do café do Paraná precisa do auxilio da indústria, que poderia desenvolver um marketing enaltecendo as qualidades. ''Inclusive poderia ser criado um rótulo com as características que fazem o diferencial do café paranaense'', sugeriu.
Em reconhecimento ao esforço dos produtores, o presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina, Luiz Roberto Ferrari, anunciou para o dia 29 a realização de um leilão para compra dos cafés competidores. A cotação será o preço mínimo da bolsa, que é atrelada à Bolsa de Nova York, mais 50%.
Os juízes degustadores e classificadores de cafés especiais concluíram que o café paranaense têm características valorizadas no mercado mundial como sabor melífero (que remete ao mel), doçura, aromas florais e achocolatado, de frutas brancas como pera e maçã, corpo definido, equilíbrio na acidez e gosto remanescente, período que o sabor fica na boca.
Trento lamenta que os exportadores de café ainda mantenham escritórios no Estado apenas para comprar o produto mais barato e depois exportam como se fosse café de Minas Gerais ou do Espírito Santo. Ele atribuiu esse procedimento à imagem negativa que o café tinha antes, quando o Estado produzia café em quantidade mas não cuidava da qualidade.
Foi a partir de 1990 que a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) resolveu reverter esse quadro com a implantação do programa de plantio adensado, que trouxe nova tecnologia de produção. Os produtores passaram plantar variedades mais resistentes, colocaram mais plantas em áreas menores, cuidados na colheita e pós-colheita, técnicas que sepultaram as práticas decadentes do passado, explicou Trento.
No concurso, os juízes avaliaram 434 amostras de café de 62 municípios participantes. O concurso premiou 10 produtores de café natural e 10 de cereaja descascado, que adotam as técnicas recomendas para melhorar a qualidade da produção. O governador em exercício, Orlando Pessuti, elogiou a perserverança dos produtores que estão ajudando a construir o padrão de qualidade do produto.


