Concurso de café arábica é lançado por produtores
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Renon Junior<br> Reportagem Local 
Melhorar a qualidade do café e agregar maior renda ao produtor. Assim pode ser resumido o evento realizado ontem no Parque Ney Braga pela Associação Brasileira do Café Arábica. O 12º Encontro Estadual do Café também marcou o lançamento do Concurso Café Qualidade Paraná 2004.
Cerca de 650 produtores, técnicos e representantes de cooperativas ouviram as palestras em torno da variedade arábica, reconhecida por sua qualidade superior no padrão de bebida. É o tipo mais produzido no mundo, em torno de 60% do total. No Brasil, corresponde a 80% da produção e o mesmo índice do que é exportado. Por ano, são vendidas para o mercado internacional cerca de 8 milhões de sacas de arábica. O Brasil é o maior exportador com 40% do total.
Apesar da ótima aceitação, o café arábica não corresponde à expectativa do produtor na hora da comercialização. Não por culpa do produto, mas pela desproporção nas diferentes etapas até chegar à mesa do consumidor. ''O preço do café para o produtor é uma tragédia, ou melhor, é tragicômico'', analisa o engenheiro agrônomo e cafeicultor Armando Matielli, palestrante no encontro. Ele diz que apenas 8% do valor comercializado na ponta fica com o produtor.
Matielli culpa a tradição de exportar café verde pela falta de valorização. ''Europa, Estados Unidos e Japão compram o nosso produto a US$ 60 e repassam a US$ 700 no final. Isso é uma selvageria econômica. Exportamos US$ 1,5 bilhão e os países importadores convertem em US$ 19 bilhões. O pesquisador vê como alternativa para sair desse círculo vicioso uma agressiva estratégia de marketing, ''segmentando, agregando valor e divulgando os resultados''.
Iniciativa que começa a tomar forma com o lançamento do Concurso de Qualidade Café 2004. Para participar, o produtor deve reter um lote de 100 sacas de café em coco ou 30 sacas do produto beneficiado, na categoria de café natural e de 50 sacas para a categoria de café cereja/descascado. Serão retiradas amostras que vão ser analisadas por uma comissão formada por classificadores e provadores. A primeira etapa é municipal. Os dez primeiros classificam-se para o concurso regional, que indicará os dez finalistas para a fase estadual.
A final do concurso será realizada em Londrina em outubro. A premiação para o vencedor será a comercialização do produto em um leilão especial além de um certificado de qualidade. Para o presidente da Associação Brasileira de Café Arábica, Ricardo Strenger, o concurso vai estimular produtores a priorizar a qualidade. ''O certificado vai ser nossa estratégia de marketing para poder agregar valor ao arábica''.


