Concurso classifica os melhores cafés
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quarta-feira, 07 de novembro de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) sediou ontem em Londrina o primeiro dia de julgamento da fase internacional do 13º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil - Cup of Excellence Early Harvest, que prossegue até a próxima sexta-feira dia 9. O concurso visa premiar os melhores cafés produzidos no Brasil e estimular a produção de grãos de qualidade. Neste ano, foram selecionados 50 lotes provenientes de todo o País, que estão sendo avaliados por um júri composto por 27 especialistas brasileiros e estrangeiros. Diferente da edição anterior, neste ano, nenhum lote paranaense conseguiu se classificar para a etapa internacional. Os vencedores serão anunciados na sexta-feira durante cerimônia na Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé 2012) em Jacarezinho.
Francisco Barbosa, membro do departamento de café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), explica que o Estado passou muito bem na etapa nacional, mas não conseguiu uma pontuação suficiente para entrar como os melhores na categoria internacional. O especialista explica que neste ano o Paraná teve um clima desfavorável para a cultura cafeeira, quando houve falta de chuva no desenvolvimento do fruto e excesso de chuva durante a colheita. ''Com esse clima desfavorável, o café não granou adequadamente, comprometendo a qualidade do fruto'', explica Barbosa.
Entretanto, o especialista recomenda que os produtores não desanimem, já que o Estado tem investido na produção de cafés de qualidade. ''Eventos como este servem para incentivar o produtor a investir nesse segmento'', salienta. De acordo com dados do Mapa, o Brasil produz 8 milhões de sacas de cafés com certificados de qualidade por ano. No Paraná a produção não chega a 50 mil.
Segundo Barbosa, o mercado de cafés de qualidade no Brasil tem ganhado um espaço expressivo na pauta das exportações. O motivo é pelo alto valor agregado. Segundo ele, o valor pago pela saca de um café de alta qualidade pode chegar a R$ 600. Só para se ter uma ideia, o preço de um produto tradicional não passa de R$ 350 a saca. Por meio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), Barbosa explica que o governo vem trabalhando para ampliar o leque de produção de cafés especiais no Brasil. Segundo Barbosa, neste ano foram destinados R$ 15 milhões em investimentos voltados para o setor de pesquisa e R$ 2 bilhões para ajuda de custeio, colheita e comercialização.
Grãos
Silvio Leite, um dos avaliadores desse 13º concurso, explica que cultivar cafés de qualidade não é uma tarefa difícil. Ele sublinha que o primeiro passo é a escolha da variedade adequada para a região onde vai ser plantada. ''O café é uma fruta e, como tal, deve ser colhida quando todas estiverem maduras, não só uma parte da árvore'', salienta. O passo seguinte, completa Leite, é processar o grão de forma que não fique cru ou muito torrado. ''São esses procedimentos que fazem com que o produtor extraia um café de qualidade'', sintetiza.
Os melhores cafés do concurso, destinado exclusivamente aos grãos produzidos por via úmida (cerejas descascados e/ou despolpados), ganham como prêmio a venda de seus lotes no exclusivo leilão Cup of Excellence, que será disputado no dia 10 de janeiro de 2013, via internet, por torrefadoras e casas de café sediadas de todo o mundo, em especial na América do Norte, Europa e Ásia.
Vencedores
No ano passado, o primeiro lugar ficou com a Fazenda Rainha, do município de São Sebastião da Grama (SP). O café da fazenda venceu com uma pontuação de 91,41, considerada uma avaliação excelente. Em segundo ficou a Fazenda Bonfim, de Piatã (BA), com 88,82 pontos e em terceiro o Sítio Cafezal, de Carmo de Minas (MG), com 88,68 pontos.
Produção
De acordo com o último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), na safra 2011/12 o Paraná produziu 95.531 toneladas de café, volume 14% menor do que na safra anterior. Em área, o Estado ocupou no ciclo 2011/12, 67.379 hectares, um espaço 10% inferior se comparado com o período anterior.


