A concorrência entre os moinhos deve frustrar a proposta de um aumento no preço da farinha de trigo, que teria reflexos sobre os preços do pão, massas e biscoitos. Na semana passada, filiados do Sindicado da Indústria de Derivados de Trigo promoveram uma reunião em Curitiba para revisão das planilhas de custo, em torno de 10% a 15% no preço da farinha. A justificativa seria a quebra de 62% na safra de trigo do Paraná, provocada pelas geadas.
‘‘Se os moinhos paulistas e mesmo os paranaenses aumentarem o preço da farinha, correm o risco de perder mercado’’, avisa o empresário Lawrence Pih, do Moinho Pacífico, de São Paulo. Pih alerta que o Moinho Pacífico é um dos maiores de São Paulo e industrializa em torno de 1.300 toneladas de trigo, por dia, com condições para operar com capacidade para 2 mil toneladas.
Ele avisa ao mercado que o trigo está em baixa no mercado internacional e pode elevar as importações para atender mercados abastecidos por outros moinhos que tentarem elevar o preço da farinha. Até no Paraná, apesar do custo do ICMS e do frete, o empresário disse que pode concorrer. ‘‘Se os moinhos venderem a farinha acima de R$ 25,00 a saca de 50 quilos, já temos condições de concorrer mesmo pagando os impostos’’, afirma Pih.
Ao contrário dos demais moinhos, que estão tentanto elevar seus preços, o moinho Pacífico até reduziu o preço em R$ 2,00 a saca de 50 quilos nas últimas oito semanas. Segundo Pih, a Argentina chegou a elevar o trigo para até US$ 135 a t, quando o Paraná anunciou a quebra de 62% na safra, mas por força da pressão exercida pela Bolsa de Chicago, já recuou os preços para US$ 128 a t.
‘‘Essa semana, os preços do trigo argentino recuaram ainda mais, para US$ 120, a t’’, disse o técnico da Seab, Otmar Hubner. Conforme o Deral, apesar das geadas os preços vêm se mantendo em R$ 240,00/t/produtor e R$ 300,00/t na indústria. O técnico acredita que necessidade de rever o custo de outros insumos.
Pih não vê muito espaço para os moinhos paranaenses ditarem preços no mercado. O Paraná consome em torno de 500 mil t de farinha por ano, que corresponde 10% do mercado nacional (5,5 milhões de t de farinha). Só o mercado de São Paulo consome 25% desse total.
Enquanto a concorrência não chega ao Paraná, as padarias de Curitiba já estão sentindo o peso dos aumentos impostos pelos moinhos paranaenses. A presidente do Sindicato da Indústria da Panificação do Paraná, Lourdes Silva Marçal, que pagava R$ 14,00 a saca de 25 kg de uma pré-mistura para pão, pagou ontem R$ 14,80. Marçal informou ainda que o moinho Anaconda já está cobrando acima de R$ 25,00 a saca de 50 quilos de farinha de trigo especial para panificação.

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