Concorrência pelo seu $$
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quinta-feira, 24 de agosto de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Os principais bancos do País começaram a criar novos produtos para tentar concorrer e conter a migração de investidores para corretoras, que oferecem maior rentabilidade e menor custo. Os pacotes de investimentos incluem até mesmo fundos de outras instituições financeiras, nos mesmos moldes que as empresas de corretagem, para manter o controle de recursos que passavam dos R$ 4,5 bilhões no fim do ano passado, somente em Londrina.
Analistas de mercado afirmam que a crise econômica nacional e os seguidos cortes na taxa básica de juros, a Selic, também contribuem para a estratégia dos bancos. Isso porque, com o aperto monetário e rentabilidades menores, cada 0,1 ponto percentual a mais no fim do investimento deve ser considerado. Assim, o movimento dos grandes bancos visa evitar a fuga ainda maior de clientes para corretoras.
O Itaú Unibanco lançou a plataforma 360 em março passado e o Banco do Brasil deve colocar no mercado um serviço equivalente nas próximas semanas. Ainda, o Itaú anunciou em maio a compra de 49,9% do controle acionário da XP Investimentos, de olho na fatia de mercado e nos planos da corretora de se tornar a maior do País na próxima década.
Os dois bancos, porém, somente oferecem o serviço aos clientes com maior poder aquisitivo, mas com a tentativa de se igualar a corretoras em relação a custos. O Itaú, por exemplo, exige renda mínima de R$ 10 mil para ter acesso a mais de 20 fundos de terceiros, sem taxa de administração adicional, diz o diretor de Produtos de Investimentos do banco, Claudio Sanches.
No Banco do Brasil, a gerente-geral da unidade de captação e investimentos, Paula Mazanék, afirma que fará inicialmente o lançamento para segmentos de alta renda, para, após mais estudos, oferecer também para correntistas de todos os perfis socioeconômicos. Bradesco e Santander também oferecem o serviço para clientes com mais recursos e devem aumentar a carga de negociações neste ano.

POTENCIAL
Somente Londrina fechou 2016 com R$ 2,5 bilhões aplicados na caderneta de poupança e outros R$ 2,1 bilhões em investimentos com depósitos a prazo em bancos, como CDB, segundo o Banco Central (BC). É a gestão desses ativos que está sob disputa entre instituições financeiras e corretoras.
Empresas de investimentos permitem que o cliente escolha títulos de renda fixa, como o CDB, de qualquer banco, de acordo com o rendimento e o perfil de risco do cliente. Diferentemente da maioria das instituições financeiras, as corretoras não trabalham com taxa de administração para renda fixa e tem receita atrelada a um tipo de comissão paga pelo banco por produto comercializado.
Ate o lançamento dos novos serviços bancários para alta renda, os correntistas precisavam consumir produtos do banco no qual têm conta. "Ou tem uma taxa alta, ou a alocação de investimentos é de acordo com as metas de gerentes e não do perfil do investidor, ou é em fundos espelho", diz o sócio da Fort Investimentos Gabriel Vansolini, que representa a XP Investimentos em Londrina. "A diferença é que o banco, por natureza, precisa captar crédito barato e emprestar por valor maior, porque a receita deles vem daí", completa.
Para Vansolini, existe muito o que crescer em educação financeira no Brasil. "Sem querer puxar sardinha para o nosso lado, esse movimento é uma contraparte dos bancos, porque eles precisam reagir de alguma forma ainda que não tenham como competir pela própria natureza."
Ele afirma que quase todas as aplicações financeiras são feitas fora de bancos nos Estados Unidos e que chega a 69% mesmo na Índia, país emergente tal qual o Brasil. "É uma questão de informação. A corretora oferece produtos mesmo para quem tem renda baixa, funciona como uma intermediária e dá acesso a títulos públicos ou ao CDB de vários bancos, tudo protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito", diz a planejadora financeira Juliana Sitta Queiroz, que é certificada pela Planejar. (Com Folhapress)
Desconfiança ainda é empecilho
A confiança que as pessoas ainda têm nos gerentes bancários é hoje o que mais segura os investimentos longe de corretoras, diz a a planejadora financeira Juliana Sitta Queiroz. "Hoje em dia é fácil abrir conta on-line em uma corretora, enviar documentos e de um dia para o outro começar a investir, mas há o receio do cliente de não ter quem o auxilie", diz.
Para ela, o movimento dos bancos se dá justamente para atrasar esse processo. "Com os juros caindo e a economia fraca, se a pessoa não buscar uma alternativa para recuperar os rendimentos vai sentir o calo apertar e os grandes bancos sabem dessa tendência", conta Juliana. "Tem mercado para todos, mas eles vão no máximo reter os clientes, porque ninguém vai sair de uma corretora para um banco por isso."
Seja com qualquer tipo de assessoria para aplicações financeiras, porém, a planejadora alerta que o primeiro passo é definir o próprio perfil de risco e os objetivos. "Não adianta colocar o dinheiro em um CDB de dois anos porque a rentabilidade é maior se a pessoa quer usar o dinheiro para trocar de carro daqui a um ano", diz.
A opinião é semelhante à do sócio da Fort Investimentos Gabriel Vansolini, que representa a XP Investimentos em Londrina. "As corretoras tem uma regulamentação muito forte para que se atenda sempre o perfil do investidor e não tem metas como bancos."


