Concorrência internacional unifica práticas empresariais
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Mariana Fabre<br>Reportagem Local 
Influenciados pela concorrência internacional, empresários do mundo todo adotam práticas, estratégias e, até mesmo, valores gerenciais semelhantes em busca de garantir a sobrevivência de seu negócio. Esse movimento é conhecido como Convergência Internacional, ou ainda como Crossvergence. O pesquisador Luciano Minghini explica que empresários ou grupos locais caminham em direção ao mesmo lugar no que diz respeito às atitudes empresariais. ''Quanto mais desenvolvidos são, mais parecidos ficam no modo de agir'', resume.
De acordo com o pesquisador, não existe um setor empresarial específico no qual a influência do mercado internacional é mais forte. ''Quanto mais a empresa sofre influência de um ambiente internacionalizado, mais o empresário tende a se habituar ao mercado internacional e a adotar suas práticas para sobreviver nele'', avalia. Minghini argumenta que até mesmo um pequeno produtor de goiabada, por exemplo, precisa planejar atitudes para concorrer com marcas internacionais nas prateleiras de mercado.
As decisões e práticas estratégicas dos gestores carregam valores culturais de cada localidade e a interferência internacional contribui para que novos valores e práticas se misturem aos aspectos culturais locais. Segundo Minghini, uma das possibilidades discutidas atualmente é a de que os valores gerenciais continuam sendo locais, mas as práticas se tornam globais. ''O empresário começa a pensar: 'Posso continuar assim, mas também adotar estratégicas que me deixem competitivo internacionalmente''', avalia.
O pesquisador não avalia a convergência como positiva ou negativa, mas afirma que essa parece ser uma consequência natural de ações do próprio mercado, do avanço das tecnologias de produção, comunicações e de transportes. ''Se a gente (empresário) não se planeja para saber quais práticas tomar para se tornar competitivo, isso pode ser negativo para a empresa. O negócio sobrevive se houver preparo e planejamento para se adequar às mudanças'', orienta.
De acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rommel Darion, para atender a demanda do mercado, as indústrias melhoram suas práticas de produção, as condições de trabalho de seus funcionários, aderem a normatizações internacionais de contabilidade e de higiene e investem em tecnologia. ''Isso está acontecendo, a gente percebe claramente. É um movimento natural do mercado'', salienta.
Segundo ele, os pequenos e médios empresários não têm consciência de que estão fazendo parte dessa convergência. ''Eles fazem por seguir um movimento natural do mercado. Hoje os supermercados têm produtos do mundo inteiro e os empresários estão cientes que precisam ser competitivos em nível global'', declara. Darion explica que no caso das grandes empresas e das multinacionais, as práticas internacionais já fazem parte de sua rotina. ''A minha empresa entrou no mercado internacional há 10 anos e agora já adquiriu uma cultura diferente. Hoje meus funcionários têm que cumprir padrões internacionais'', relata. Segundo o vice-presidente da Fiep, a cultura de maior competitividade é benéfica para o mercado. ''Eu vejo como positivo, porque a concorrência melhora a competitividade e melhora a qualidade dos produtos. É uma evolução da indústria e do empresário'', analisa.


