Concorrência gera crise entre postos de Maringá
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quinta-feira, 16 de maio de 2002
Marta Medeiros Equipe da Folha 
Maringá Pelo menos 90% dos donos de postos de combustíveis de Maringá querem deixar o negócio. Somente em uma imobiliária da cidade, estão à venda 20 postos. A situação de desânimo chega a tal ponto que a maioria admite o caos no setor, mas evita expôr os problemas para não prejudicar a própria venda dos postos. Levantamento feito pelo Sindicombustíveis de Maringá demonstrou que nos últimos dois anos foram extintas 190 vagas de trabalhadores, a maioria frentistas, porque os postos reduziram custos em cima da mão-de-obra na tentativa de driblar a cartilha imposta pelas companhias distribuidoras e pelo cartel de preços.
Ainda assim, no mesmo período aumentou o número de revendas. Maringá tem hoje 67 postos, mas em 1999 eram 55. Os empresários mais antigos do setor afirmam que a maioria dos colegas deixou a atividade por medo e desânimo. Eles afirmam que a nova turma se sujeita a adulteração de combustível e a sonegação fiscal, além de um esquema de pressão do cartel no preço da gasolina. Um inquérito policial foi aberto em maio de 1999, mas até hoje está parado por causa de providências que damandam a atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em Brasília. O inquérito traz relatos de donos de postos ameaçados de morte por outros empresários do setor e apurou a atuação de seis proprietários como responsáveis pela formação de cartel e de crime contra relação de consumo praticado por companhias distribuidoras.
A Folha tentou ouvir ouvir gerentes e proprietários de postos, mas a maioria não aceita dar entrevistas. Um deles chegou a duvidar que a ligação partia da reportagem porque convive com receio da atuação do esquema que determina as condições de preço da gasolina. As pessoas preferem deixar a atividade a peitar a situação porque o esquema é tão pesado que pode acabar em morte, confidenciou um outro dono de posto, há 10 anos no setor e que também se prepara para deixar a atividade.
Segundo os empresários, é difícil determinar o valor de compra de um posto porque depende de condições como da localização, além de fatores como se o terreno é próprio, de terceiros ou da companhia. Eles contam que se o terreno for da companhia, o fundo de comércio pode custar até R$ 160 mil. Em outras situações, o investimento pode demandar R$ 300 mil. Mas tem gente que pode entregar o posto por muito pouco dinheiro pelo desespero em administrar o negócio, diz um gerente.
Empresários ligados a uma única bandeira afirmam também que estão nas mãos das companhias que oscilam no preço de repasse do produto. Um dia elas (as distribuidoras) resolvem dar descontos e no outro aumentam o preço do litro sem dar satisfação, diz um dono de posto. O dono explica que por causa desta situação, os empresários convivem com a revolta do consumidor. Muitos nos chamam de ladrões porque uma hora o preço está mais em conta e em outro momento mais alto, completa.


