Concorrência frustra aumento do consumo de café em 2011
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Tomas Okuda <br>Agência Estado 
São Paulo - O consumo de café no Brasil cresceu 3,11% em 2011 em relação ao ano anterior, para 19,72 milhões de sacas de 60 kg, mas ficou abaixo das expectativas iniciais da indústria, que eram de aumento de 4% a 5% no ano. O incremento do consumo de produtos concorrentes no café da manhã pode ser uma das justificativas para o desempenho aquém do esperado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
De acordo com a entidade, o café tem forte presença no consumo doméstico, com penetração de 95%, mas esse índice se manteve estável no ano passado. Outros produtos, porém, cresceram acima de 20%, como foi o caso do suco pronto (24%) e das bebidas à base de soja (29%). O presidente da Abic, Américo Sato, considera que o café pode manter e até elevar presença por meio da qualidade, produtos diferenciados e certificados. ''O consumidor começa a constatar que existem cafés de diferentes qualidades, com atributos próprios. Também é preciso educar o consumidor sobre os benefícios do café, que é uma bebida saudável'', valorizou.
Sato afastou a hipótese de desaceleração do crescimento do consumo de café provocado pelo aumento dos preços do produto. De acordo com ele, o café ainda é bebida relativamente barata para a população. O vice-presidente da Abic e também presidente da Melitta do Brasil, Bernardo Wolfson, argumentou, ainda, que ''mais pessoas estão trabalhando'' e, portanto, com renda para consumir produtos, entre eles o café. Ele acrescentou que ''o jovem com menos de 18 anos ainda consome pouco café no Brasil'' e é um público a ser cativado.
Com relação ao reajuste de preço ao consumidor para acompanhar o aumento da cotação do grão no mercado internacional, o presidente da Abic afirmou que ''não devemos ter grandes aumentos este ano porque a produção deve ser grande''. A safra brasileira em 2012 está estimada em recorde de 48,97 milhões e 52,27 milhões de sacas.
Apesar da grande safra brasileira, outros países produtores, principalmente da América Central, e a Colômbia, têm enfrentado problemas climáticos que vêm comprometendo a produção nos últimos anos. ''A perda de produção de café arábica em países importantes, com redução de estoques mundiais e no Brasil, junto com consumo mundial crescente, irá pressionar os preços da matéria-prima, especialmente no primeiro trimestre do ano'', comentou Sato.
A indústria de café estima que o preço da matéria-prima subiu cerca de 70% nos últimos cinco anos. No período, a indústria teria repassado, no máximo, 20%, em grande parte por causa da negociação com as redes de varejo. A meta da Abic para o consumo interno é alcançar 21 milhões de sacas em 2013. Ultrapassar os Estados Unidos, que atualmente consomem cerca de 23 milhões de sacas, deixou de ser objetivo imediato.


