Concorrência externa detonou projeto
Concorrência externa detonou projeto
O empresário paranaense ainda não percebeu que entrar no mercado externo é uma estratégia de sobrevivência, diz o presidente da Sigma Dataserv, Eduardo Guy de Manuel. Ele conta que decidiu vender softwares e sistemas a empresas de outros países depois de perder um cliente da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) para um concorrente da África do Sul.
Quando perdemos para uma multinacional temos que nos consolar, mas perder um negócio na nossa cidade para uma empresa pequena, que mal conhecia o Brasil, é difícil de aceitar, afirma. Por isso decidi que tinha que fazer a mesma coisa e buscar clientes em outros países.
É no sentido de manter o volume de negócios que Guy de Manuel define a busca por mercados externos como uma estratégia defensiva. Só conseguirá se manter no mercado aqueles que jogarem o jogo deles.
A previsão de faturamento da Sigma em 2000 é de U$ 15 milhões. Os negócios na França terão representação insignificante esse ano. Mas a partir de 2000 a expectativa é que elas sejam responsáveis por mais de 10% do faturamento da empresa.
Em 1999 o Brasil vendeu para outros países o equivalente a U$ 100 milhões em softwares. No mesmo ano, a Índia exportou U$ 5 bilhões em softwares e a previsão é que esse país chegue a 2005 exportando U$ 50 bilhões. Se isso acontecer, o mercado de tecnologia da informação representará a metade da pauta de exportações indiana.
A diferença é que no anos 80, enquanto o governo brasileiro incentivava a produção de hardwares nacionais, que é uma commoditie, a Índia incentivou o desenvolvimento de softwares, que conseguem manter um valor agregado alto, explica Guy de Manuel.
Os empresários do setor de tecnologia de informações têm uma vantagem extra na expansão de seus negócios. Apesar da maior fatia de mercado estar nos países do primeiro mundo, eles não têm capacidade para atender o crescimento da demanda. Só nos Estados Unidos existiam, em 1999, cerca de 850 mil vagas de programadores a serem preenchidas.
Guy de Manuel conta que há dois anos a Sigma estava fechando contrato com uma empresa para desenvolver um sistema em linguagem Java, de Internet. Para isso ele precisava contratar 20 programadores com conhecimento nessa área. Não conseguiu encontrar esse número de profissionais, com o perfil desejado, em Curitiba. Recorreu a um grupo de programadores que tinham sido demitidos de uma empresa em Joinville, Santa Catarina. Durante as três semanas necessárias para a tramitação burocrática das contratações, todos eles conseguiram o green card e foram trabalhar nos Estados Unidos. (E.C.)





