Valmir Denardin
Enviado a Ciudad del Este
Pelo menos 20% dos 280 frentistas de Foz do Iguaçu foram demitidos nos últimos dois meses, em consequência da diferença dos preços dos combustíveis cobrados na cidade em relação a Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina). Anteontem, os preços cobrados em Foz estavam, em média, 40% mais caros do que nas duas cidades fronteiriças.
Enquanto em Foz o litro da gasolina comum custa em torno de R$ 1,46, nas outras duas cidades da fronteira podia ser comprado pelo equivalente a R$ 1,00. Puerto Iguazú fica a 12 quilômetros de Foz e é ligada a ela pela Ponte Tancredo Neves, sobre o Rio Iguaçu. Ciudad del Este é ainda mais próxima – 6 quilômetros. Mas, neste caso, os congestionamentos na Ponte da Amizade fazem a travessia demorar um pouco mais.
Mesmo assim, o fluxo de consumidores brasileiros aumentou cerca de 30% nos postos de Ciudad del Este desde agosto, quando o preço dos combustíveis no Brasil acumulou um aumento de 63% desde o início do ano. Segundo estimativas, o movimento dos 54 postos de Foz caiu pela metade desde então.
Fugindo do preço alto, o consumidor migrou para os postos estrangeiros. ‘‘Só ficou aqui quem compra a prazo, com cheque pré-datado ou cartão’’, disse um dono de posto de Foz. Durante a meia hora em que permaneceu no posto Esso Shop – um dos maiores de Ciudad del Este –, ontem à tarde, a reportagem da Folha constatou que aproximadamente a metade dos veículos que abastecem no local possuem placas brasileiras.
O comerciante Fuad Youssef Hijazi, de 24 anos, que mora em Foz do Iguaçu e tem uma loja em Ciudad del Este, diz que prefere abastecer seu Monza na cidade paraguaia. ‘‘Desde que subiu o preço no Brasil, só abasteço aqui’’, disse Hijazi. ‘‘Com R$ 20,00 eu coloco 20 litros de gasolina. Lá (em Foz) só daria 13 litros.’’
Desde o início da crise, o empresário Walter Venson, dono de cinco postos em Foz do Iguaçu, demitiu cinco de seus 40 funcionários. ‘‘O movimento caiu 50% e não temos como suportar as despesas’’, afirma Venson.
Segundo Rosalvo Tavares da Silva, presidente do Sindicombustíveis para as regiões Oeste e Sudoeste do Estado, a diferença de preços entre o Brasil e o Paraguai ocorre porque o país vizinho importa os produtos do Brasil com isenção de impostos.
‘‘Hoje eles compram a gasolina a R$ 0,27 o litro, incluindo o frete. Para os donos de postos da fronteira, o preço é de R$ 1,17 e ainda temos que retirar o combustível em Guarapuava (onde há depósito da Petrobras)’’, compara Tavares da Silva. Na sua opinião, a diferença de preços na fronteira deverá diminuir. ‘‘Já foi de 100% e agora não passa de 40%.’’Preços em cidades da fronteira são, em média, 40% mais baixos que os cobrados em Foz, provocando migração de consumidores
Ney de SouzaNey de SouzaPREÇOS DIFERENCIADOSAcima, veículo brasileiro em posto de Ciudad del Este. Ao lado, Fuad Youssef Hijazi, que mora em Foz e abastece o carro no Paraguai: ‘‘Aqui, com R$ 20 eu coloco 20 litros de gasolina; em Foz só daria 13 litros’’

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