Marta Medeiros
De Maringá
A promoção no litro da gasolina a R$ 1,14 e do álcool a R$ 0,52, em Marialva (17 quilômetros de Maringá) obrigou os postos de Maringá a baixar os preços praticados. Em menos de uma semana, o litro da gasolina comum passou de uma média de R$ 1,33 para R$ 1,23 e em alguns postos a R$ 1,19. Empresários do setor em Maringá até esperaram uma reação de preços no município vizinho, mas não conseguiram resistir e trocaram os valores nas bombas. Objetivo de puxar o mercado da gasolina e do álcool para baixo é desestimular os consumidores de Maringá a pegar a estrada por causa de promoção.
Desde julho, postos de Marialva vem roubando uma importante fatia do consumo de Maringá. A pressão do vizinho tumultuou ainda mais o mercado local. O setor de combustíveis já foi acusado de formação de cartel em inquérito aberto no 4º Distrito da Polícia Civil que apurou crimes contra o consumidor. Na última pesquisa realizada pelo Procon, em 57 postos de Maringá na semana passada, a variação de preço na gasolina comum ficou entre 5% a 8% e no álcool de 27%.
Diante dos diversos problemas no mercado de combustível, poucos são os donos de postos maringaenses que dão entrevistas. Uma parte chega a acusar a imprensa de colocar ‘‘holofotes’’ em postos que praticam promoções, como estímulo aos consumidores em exigirem preços baixos.
Segundo o empresário Luiz Carlos Aristo, o valor normal do combustível, dada a carga de impostos cobrados pelo governo e despesas usuais de um posto, seria de R$ 1,41 para a gasolina comum e de R$ 0,86 para o álcool. Aristo afirma que para o setor se estabilizar, sem enfrentar reações adversas do mercado, seriam necessárias mudanças na legislação tributária e uma rigorosa fiscalização nas distribuidoras e usinas. ‘‘Quem trabalha sério não tem medo de fiscalização e nos postos ela quase não acontece porque a Agência Nacional de Petróleo (ANP) tem um contigente reduzido de fiscais’’, explica Aristo.
Para o empresário, o mercado de Maringá foi obrigado a acompanhar os preços promocionais praticados em Marialva apesar das consequências que implicam a decisão. ‘‘Se a oferta na cidade vizinha não pára os postos daqui são obrigados a acompanhar, até porque o mercado precisa se equilibrar’’, completa Aristo. O empresário acredita uma das consequências no recuo dos preços nos postos de Maringá seria a demissão em massa.

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