''Concorrência' da Caixa já reduz taxas
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sábado, 28 de junho de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Na semana em que o governo anunciou o pacote de estímulo ao microcrédito, as financeiras começaram a se mexer. O Banco Pan-Americano anunciou, na última quinta-feira, o lançamento de uma linha de crédito pessoal com taxas menores do que as que pratica hoje. Devem variar de 4,9% a 6,9% ao mês. Em sua carteira de clientes, há planos com taxas que superam 12%.
No recém-lançado pacote de apoio ao crédito do governo, as taxas, porém, são menores. Serão liberados recursos na conta corrente de pessoas físicas (clientes da Caixa Econômica Federal) com juros de 2% ao mês. Com isso, mesmo que as financeiras criem novas linhas, analistas esperam um crescimento no número de pessoas em busca do crédito na Caixa, em detrimento da fornecida pelos bancos.
As financeiras cobram juros mais altos para a venda de produtos em grandes redes varejistas. Já em lojas menores, com um ou dois estabelecimentos, a taxa acaba sendo menor, o que torna o preço final menos salgado.
Irritado com a atual política do setor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente as financeiras na sexta-feira, classificando-as como empresas de crédito que cobram 333% de juros ao ano para uma simples compra de um liquidificador. Disse que isso está ''matando o povo''.
Lula deixou clara sua posição. ''Nós queremos criar alternativas para que uma mulher que queira comprar uma televisão não tenha que ir numa dessas empresas de crédito pagar 200% de juros ao ano'', declarou.
Ao tomar conhecimento do pacote de microcrédito do governo, as financeiras tentaram participar do projeto. A Acrefi, que representa a setor, queria marcar um encontro com o Ministério da Fazenda e solicitar a inclusão das financeiras no pacote do governo. Elas queriam oferecer esse empréstimo barato (a taxa de 2%) em seus pontos-de-venda. O plano não deu certo.


