Concorrência chinesa preocupa indústria gráfica brasileira
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quinta-feira, 20 de junho de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Os chineses, grandes vilões da indústria brasileira, começam a incomodar um setor que, até pouco tempo atrás, só estava preocupado com a concorrência interna. As gráficas, de todos os portes, estão sentindo na pele a força do gigante asiático. Segundo representantes do segmento, editoras vencem grandes licitações abertas pelo governo e mandam imprimir livros didáticos na China. Colocado no Brasil, o produto chegaria até 40% mais barato que o fabricado aqui.
De imediato, perdem as grandes gráficas, que passam a concorrer no mercado com as médias. Em efeito cascata, a concorrência oriental prejudica empresas de todos os portes.
Recém-chegado da China, para onde foi em missão empresarial, o sócio da Midiograf Edson Benvenho diz que agora entende o "concorrente antes invisível". "Percorremos umas 40 gráficas de todos os portes. Vi material brasileiro sendo impresso lá", conta.
De acordo com o empresário, enquanto as gráficas brasileiras são verticalizadas, isto é, fazem desde a impressão ao acabamento, na China, elas são especializadas em cada um dos processos. "Uma vende, outra imprime, outra faz a lâmina, outra corta e outra faz o acabamento", compara. Mesmo assim, de acordo com Benvenho, oferecem prazos de entrega bastante competitivos. "A infraestrutura é um diferencial enorme porque lá a logística funciona, as estradas são boas, há bons trens, metrôs, etc. Tudo funciona rápido e o custo do transporte é menor",avalia.
Apesar de viver num país comunista, segundo o empresário, os chineses pagam uma carga tributária bem menor. "Lá, a incidência do imposto é só sobre o produto final e aqui a gente paga em toda a cadeia", ressalta.
Benvenho voltou com a impressão de que não é a mão de obra barata que confere competitividade ao produto chinês. Nas empresas que visitou, diz não ter visto sinais de precarização, nem de jornada de trabalho abusiva. "Onde fomos, os trabalhadores ganham em média 500 dólares (R$ 1.070) nas funções iniciais, trabalham 40 horas e têm 20 dias de férias", declara. O empresário alega ter visto uma China muito diferente daquela que ele imaginava. "Tem muita tecnologia lá dentro. Vi um país exuberante e pujante", declara.
De acordo com ele, a Midiograf está preocupada com o "novo posicionamento do mercado" e a solução encontrada foi investir em automação para aumentar produtividade. "Só neste ano, importamos cinco novos equipamentos", diz ele, sem revelar quanto foi gasto. "Estamos focados em processos de qualidade", complementa.
Para dar um exemplo do ganho em produtividade, ele cita o processo de encadernação. "A encadernadora antiga fazia 6 mil livros em 12 horas. A nova (que a gráfica importou da Alemanha) faz a mesma quantidade em uma hora e vinte minutos", conta.


