São Paulo - Após mais de três meses de crise, a Parmalat conseguiu renegociar com fornecedores e está retomando boa parte da sua produção. Segundo fontes na empresa, será dada prioridade para o leite líquido, que até 2003 representava 40% das receitas, e para os atomatados da marca Etti. Mas, apesar de seu portfólio de marcas fortes, ela terá de suar para reconquistar mercado.
Primeiros a sentir os problemas de abastecimento da multinacional, as grandes redes de supermercados partiram para lançar marcas próprias de leite. A GoodLight, do Pão de Açúcar, e a Vita Premium, do Carrefour, são só algumas das novas marcas que chegaram ao mercado nas últimas semanas.
Com uma presença nacional, enquanto a maioria das empresas do setor atua de forma regional, a Parmalat chegou a ser líder, com 23% do mercado de leite longa vida. Hoje, a liderança foi perdida para a gaúcha Elegê, também com presença nacional. ''Pegamos uma pequena fatia, mas não fizemos nenhum esforço, uma vez que o preço da matéria-prima no Sul está muito alto e não compensa o investimento na ampliação das vendas'', diz o diretor de Planejamento e Política Leiteira da Elegê/Apival, Ernesto Krug.
Em atomatados e conservas, a luta também é intensa. Em fevereiro, pelas pesquisa da ACNielsen, a marca Salsaretti, da Parmalat, permanecia em segundo lugar, com 20% de participação de mercado, atrás da líder Pomarola (KnorrCica), com 41%. Mas aos poucos, acreditam as empresas, o mercado deve mudar. ''Nos últimos dois meses, a concorrência se intensificou, principalmente entre marcas novas, regionais, dispostas a pegar uma fatia do mercado e com preço menor'', diz o gerente de Marketing da KnorrCica, Alexandre Bouza.

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