Concorrência asiática prejudica confecções
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quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Agência Folha 
SÃO PAULO - Apesar de as confecções de roupas infanto-juvenis e para bebê terem registrado um crescimento de 10% na produção em 96, os fabricantes estão insatisfeitos com a competição dos produtos importados dos países asiáticos. Essa é a opinião de alguns dos 150 participantes da 8ª edição da FIT (Feira Nacional do Setor Infanto-Juvenil e Bebê). O evento é destinado a lojistas e acontece até sexta-feira no Pavilhão de Exposições do Mart Center, em São Paulo.
As roupas importadas da Ásia são um lixo. Mas muita gente prefere comprar cinco roupas importadas baratas do que uma nacional cara, conclui Tommaso Mancini, presidente do Clube da Moda Infanto-Juvenil e do Bebê - associação que reúne cerca de 50 pequenas e médias confecções do Estado de São Paulo.
James Moore Tomaz, diretor da Zemar Confecções Infantis, faz coro com Mancini. Não dá para competir com essas roupas importadas que chegam dos países asiáticos a preço de banana. Para melhorar seu desempenho, a Zemar reduziu a margem de lucro de 15% para 10% e passou a fazer roupas menos sofisticadas. A produção da empresa ficou estagnada em 160 mil peças/ano em 95 e 96, mas deve crescer 30% este ano.
A Bal e Bol, marca que veste consumidores de 0 a 15 anos, também teve que reduzir seus preços para concorrer no mercado externo e interno. Mas o
gerente-comercial da confecção, Manolo Perez, não lamenta tanto a invasão dos produtos asiáticos. Meus clientes perceberam que a qualidade dessas roupas importadas era péssima. Ironicamente, a Bal e Bol começa a fazer o caminho inverso: pretende exportar sua linha praia para Cingapura.
De acordo com Mancini, há quatro anos as pequenas e médias confecções do setor exportavam 30% da produção. Hoje, como os preços reais dos produtos nacionais aumentaram em 30%, só 5% da produção é exportado. Segundo o Clube da Moda de São Paulo, em 1995 o setor de vestuário em geral importou 287 milhões de peças, contra 166 milhões de peças exportadas. Apesar da concorrência asiática, Mancini está otimista com relação a 97: prevê um crescimento de 10% para o setor.


