Concordata da Enron devia servir de alerta à Copel
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Vânia Casado 
Curitiba - Os desdobramentos da concordata da empresa norte-americana de energia Enron devem servir de alerta para o Ministério Público que está analisando as parcerias da Companhia Paranaense de Energia (Copel) com suas subsidiárias. O conselho é do ex-superintendente da Copel João Carlos Cascaes que traçou um paralelo entre o colapso da Enron com a administração da Copel nos últimos anos. O presidente do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, Nelton Friedrich, também admite que algumas parcerias firmadas pela Copel são similares e preocupantes.
Cascaes admite que muitos problemas da Enron não têm correspondência com os da Copel. Mas destacou que a empresa norte-americana chocou o mercado ao revelar um prejuízo de mais de US$ 600 milhões no terceiro trimestre de 2001 com as parcerias que não constavam da contabilidade oficial da empresa. Segundo Cascaes, a Copel não teve nenhum prejuízo, mas ele teme pelo futuro da empresa. Ele reclama de mais transparência na relação entre a Copel e suas subsidiárias, que ainda são pouco conhecidas do grande público.
O ex-superintendente da Copel disse que a empresa deveria tornar público o balanço de todas as suas subsidiárias, bem como o nome dos sócios, o patrimônio e os setores onde está atuando. Cascaes se referiu à Tradener, empresa para comercializar o excedente de energia, à Escoelectric Ltda, à Foz do Chopim Energética e outras. Ao todo são 29 empresas subsidiárias criadas pela estatal.
Segundo Cascaes, a legislação que permitiu a criação das subsidiárias deu liberdade total à Copel e ela começou a firmar parcerias sem que as informações chegassem ao grande público. O máximo que a diretoria fez foi publicar a criação das empresas em atas da diretoria, que são textos extremamente técnicos, só acompanhados por especialistas, disse.
Friedrich disse que o futuro da Copel não chega a ser preocupante porque a empresa é maior que sua gestão e tem uma estrutura que ultrapassa um governo. Apesar disso, ele disse que é preciso apurar algumas parcerias que mais parecem uma ação entre amigos e revelam uma relação incestuosa com ex-diretores.
Friedrich disse que não dá para traçar literalmente um paralelo entre a Enron e a Copel, mas admitiu que existem indícios semelhantes, entre eles o da gestão temerária dos últimos anos na estatal paranaense, como ocorreu na empresa norte-americana. Segundo ele, a sonegação de informações e o desvio de missão da Enron são atitudes que encontram paralelo na Copel. Conforme a assessoria da Copel, a diretoria da empresa não se manifesta sobre o assunto.


