Concluir é possível
Das 42 mil famílias lesadas pela Encol em todo o Brasil, em torno de 300 estavam em Londrina. Dessas, muitas perderam tudo o que tinham investido, algumas continuam sonhando até hoje em ter seus apartamentos um dia concluídos - como é o caso dos prédios mostrados nesta reportagem - e outras já moram nos imóveis que a construtora falida deixou pela metade.
Na avenida Madre Leônia Milito, ao lado dos prédios que estão com as obras paradas, os condôminos conseguiram concluir dois prédios, que já estavam em um estágio relativamente avançado quando houve a falência da Encol.
Na rua Paranaguá, a duas quadras do Palm Springs, o prédio que a construtora deixou parado, está o Saint Honoré, com 40 apartamentos de 192 metros quadrados, concluído pelos condôminos às custas de muita conversa e suor.
''A obra começou em 1992 e deveria ser concluída em 1995, mas aí a empresa começou a só fazer 'maquiagem' na obra até que veio a falência. Foi um desespero, pois eu era um dos vários que pagava aluguel. Então percebi que tínhamos que arregaçar as mangas e investir na obra para não termos um prejuízo ainda maior. Fizemos uma chamada de capital e cada um investiu mais R$ 50 mil. Tomamos as devidas medidas jurídicas com aqueles que só queriam atrapalhar e fomos em frente. Negociamos com fornecedores, refizemos os projetos, que eram de 1989, terceirizamos o que era possível e, neste ano, finalmente concluímos'', comemora o empresário Maílton Bandeira, um dos que tomaram a frente para a conclusão do Saint Honoré.
Porém, para o funcionário público Darwin Rodrigues o final foi o pior possível. Ele morava em um grande terreno na rua Amador Bueno (centro) quando, em 1994, recebeu uma proposta da Encol: o terreno em troca de três apartamentos que a construtora subiria utilizando também a data vizinha.
Rodrigues topou. Até 1996 foi tudo bem, com a empresa pagando o aluguel dele enquanto o edifício não ficava pronto. Mas veio a falência e ele desistiu da briga judicial. Acabou perdendo o terreno, que era herança de família, e hoje paga aluguel.
Já a família do ex-vizinho do funcionário público, que também cedera um terreno para o mesmo empreendimento, foi para os tribunais e arrematou os terrenos e as fundações feitas pela Encol em um leilão, no qual teve preferência por ser parte lesada, por R$ 190 mil, e tocou adiante a obra, dando origem a um edifício com 48 apartamentos. (W.S.)





