Arquivo FolhaAs vendas caíram 35,2% depois que o governo aumentou as taxas de jurosAs revendedoras de automóveis começarão a elevar seus preços em 5% a 7% nos próximos dias. Foi o que informou ontem o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze. Ele explicou que o aumento não será linear, nem atingirá todos os modelos de uma só vez. ‘‘Com a abertura e a concorrência, isso não é mais possível’’, explicou. Os modelos de preço mais baixo, que são os mais vendidos, deverão ser aumentados primeiro, segundo o presidente da Fenabrave.
Reze disse que o reajuste corresponde à transferência, ao consumidor, do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que o governo promoveu no final do ano passado, dentro do pacote de ajuste fiscal. As alíquotas de todos os modelos de passeio foram elevadas em cinco pontos percentuais. Os automóveis populares, por exemplo, que recolhiam 8%, passaram a pagar 13%.
‘‘As distribuidoras é que receberam o impacto desse aumento’’, queixou-se. Até agora, para não perder vendas, elas evitaram repassar o peso da nova tributação ao preço final. ‘‘Mas, em algum momento, vamos ter de colocar isso no preço’’, avisou Reze. ‘‘Não tem data marcada; é um processo que irá acontecendo’’.
Ontem o presidente da Fenabrave esteve com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a quem pediu a reversão do aumento do IPI. ‘‘Fizemos uma avaliação do que representou o aumento do imposto, e nossa visão é de que ela não trouxe ganho de arrecadação’’, disse Reze. Ele explicou que o governo consegue aumentar suas receitas quando eleva a tributação e o nível de vendas se mantém. Porém, se as vendas caem, a arrecadação também tende a cair, pois a base sobre a qual é recolhida o IPI fica menor. Segundo cálculos da Fenabrave levados ontem a Malan, o aumento do IPI traz ganhos de receita se as vendas tiverem queda de até 25%, aproximadamente. Se as vendas caem entre 26% e 27%, o efeito sobre a arrecadação é neutro.
Ocorre que as vendas se reduziram em 35,29%, na comparação entre outubro, antes da elevação das taxas de juros, e dezembro. Antes da crise, as vendas de automóveis atingiam uma média de 170 mil unidades por mês. Em novembro, já com as taxas de juros elevadas, elas chegaram a 135 mil. Em dezembro, foram de 110 mil e as perspectivas para janeiro, segundo Reze, é de vendas ainda menores. ‘‘O governo diminuiu os juros agora, mas a queda foi parcimoniosa’’, queixou-se. ‘‘Só indica um caminho a ser tomado, mas não refresca’’. Ele lembrou que, além disso, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é muito elevado. Para os financiamentos a pessoas físicas, a taxa é de 15% ao ano.

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