Concessionárias faturam em meio à crise
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Enquanto algumas montadoras desativaram suas linhas de produção, por meio de férias coletivas ou demissões após outubro de 2008 quando os rumores da crise mundial se alastraram, quem conseguiu apertar os cintos chegou a ganhar participação de mercado. Pelo menos é o que garante Job Terrin Júnior, proprietário da Tropical Veículos, que viu sua empresa crescer no meio de uma turbulência financeira.
O empresário fez um comparativo entre sua média de vendas antes e depois da crise e constatou que o impacto negativo foi brando. Em Londrina e região, todas as marcas concentraram em fevereiro vendas próximas de 1.200 veículos novos. ''Antes da crise a média era de 1.300 carros. Ainda está dentro do esperado'', completa.
Mas ao contrário do movimento total ele contabilizou que desde outubro o volume de vendas na sua loja aumentou. A surpresa veio em fevereiro quando a expectativa de redução esbarrou num crescimento de 1,2% na participação da Ford no mercado nacional. Isso representou o salto de um ponto em sua participação no mercado (market share), que agora é de 11,2%. ''Em Londrina nós crescemos três pontos e tivemos um número acima. Temos 14,4% do mercado regional de veículos'', defende.
Ele atribui o bom desempenho ao comportamento das montadoras concorrentes que não conseguiram segurar sua força de trabalho e optaram pelas demissões. Outras se precipitaram, segundo Terrin Júnior, porque não deram credibilidade ao governo que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). ''A minha montadora segurou a linha de produção e as que não acreditaram perderam mercado, porque nessa hora não tinham produto'', avalia.
O respaldo se deu sobretudo na categoria de carros populares que, no caso da marca que representa, custam em média R$ 25 mil reais. O impacto da redução do imposto representa um desconto de cerca de 3 mil reais. ''Não paramos e não fizemos cortes. Nossa montadora acreditou que realmente iria conseguir colocar carros no mercado dando incentivos para as revendedoras''.
Somadas aos descontos da redução do IPI, as montadoras deram bônus aos seus representantes dependendo do estoque. Essa era a alternativa para esvaziar os pátios e engatar os carros rumo ao mercado. ''Tinha veículo (não contemplado pela redução do IPI) que custava R$ 65 mil e saiu por R$ 60. Ela (a Ford) queria ganhar mercado e era a hora, porque muitos concorrente estavam abatidos'', considera.
Todo esse histórico leva Terrin Júnior a acreditar que a crise, na prática, não pegou da maneira como é propagada. Existe mais alarde do que redução no nível do consumo de fato. ''Aqui no ponto de venda, negociando com os clientes não tem esse comentário. O fluxo de loja é estável. Aqui não tem crise, nem nas vendas de automóveis e nem no conserto nas oficinas'', garante.
Mas ele informa que houve impacto nas vendas que necessitam de financiamentos. Quando chegaram os rumores da crise, os bancos se tornaram mais criteriosos nas suas aprovações com medo de correr riscos. Agora tudo está voltando ao normal porque a disputa entre as instituições financeiras pelos clientes se normalizou. ''Eles voltaram a aprovar (créditos para financiamentos)''.


