Curitiba Além de transportar menos do que o ideal para a economia do País, as concessionárias responsáveis pelo sistema ferroviário brasileiro desativaram cerca 10 mil quilômetros de estradas de ferro depois que assumiram. A constatação foi feita por Saulo de Tarso Pereira, consultor em logística ferroviária e superintendente aposentado da Rede Ferroviaria Federal S.A. (RFFSA), estatal que operava o sistema ferroviário brasileiro até 1996.
Segundo Pereira, só a ALL desativou 1,4 mil quilômetros da malha dos três Estados do Sul. Ele era, na RFFSA, responsável pela fiscalização das concessões. De acordo com a ANTT, o Brasil tem 28.671 quilômetros de malha ferroviária concedidos.
''As concessionárias não operam estas linhas e justificam para a ANTT que estão apenas temporariamente desativadas. Isso porque elas têm obrigação contratual de operá-las. Além disso, deviriam ao menos conservá-las e nem isso está acontecendo'', afirma o consultor. Segundo Pereira, uma das razões da desestatização foi justamente para que as concessionárias incrementassem as linhas que a Rede operava sem obter lucro. ''Elas (as concessionárias) deveriam desenvolver aquelas regiões. O argumento era que a RFFSA seria incompetente para tornar estes trechos rentáveis'', argumenta.
Pereira é uma das lideranças dos ferroviários que, junto com parlamentares, briga para evitar a extinção da RFFSA, como quer o governo federal, e pela criação de um projeto de reestruturação da rede.(A.B.)

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