Concentração de renda cresce no Brasil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de maio de 2006
Da Redação 
A gestão pública voltada para diminuir a concentração de renda no país será o debate proposto no encerramento do Programa de Estudos Avançados para Líderes Públicos, hoje, às 11h30, no Centro de Exposições e Eventos de Londrina. A palestra ''Distribuição de Renda no Brasil: o que fazer?'', será ministrada pelo economista Márcio Pochmann, um dos maiores especialistas brasileiros em economia do trabalho, pesquisador e professor do Instituto de Economia da Unicamp, para cerca de 500 prefeitos, vereadores, secretários municipais e gestores de entidades públicas reunidos no evento.
Pochmann, que já publicou 23 livros relacionados à economia do trabalho - entre eles ''Trabalho Sob Fogo Cruzado'', ''Desafio da Inclusão Social no Brasil'', ''A Década dos Mitos'' e ''Emprego na Globalização'' - vai traçar um panorama histórico abordando os últimos três séculos de concentração de renda no Brasil e as mudanças nos padrões de riqueza no País.
Nesse panorama, o especialista vai mostrar aos gestores municipais os elementos estruturais que são as raízes da distribuição de renda no Brasil, uma das mais concentradas do mundo - estabelecendo um paralelo com a história econômica de outros países que não possuem uma renda tão concentrada.
''Em 1980, a renda nacional destinada ao pagamento dos que vivem do trabalho era cerca de 50%. Em 2004, esse número baixou e apenas 36% da renda nacional passou a ser voltada para o pagamento dos que trabalham. Essa é a maneira mais correta de medir a distribuição de renda e significa que a outra parte da renda é destinada às pessoas que não trabalham, ou seja, vivem de investimentos e são ricos.'', avalia Pochmann.
De acordo com os dados apresentados pelo economista, a desigualdade no Brasil vem crescendo constantemente. ''A concentração de renda está ligada também à capacidade de gerar riquezas, e isso não vem acontecendo no País, que há 25 anos experimenta um baixo crescimento econômico, que gira em torno dos 2,5% ao ano. Se há mais renda, mais riqueza, há mais emprego e mais chances de promover uma distribuição mais igualitária.'', explica. Esse quadro é influenciado, sobretudo, pela exportação de produtos de baixo valor agregado.
Hoje, o governo considera pobres as famílias brasileiras que possuem um rendimento de até R$ 100 reais per capita por mês. Já ricos, são considerados aqueles que ganham a partir de R$ 45 mil reais mensais. ''A melhor distribuição de renda passa pelas ações do estado. Ela não é possível sem as reformas que os países desenvolvidos fizeram.'', salienta.
Para Pochmann, os gestores públicos devem promover uma reforma fundiária, tributária e social para melhorar a distribuição de renda. ''O rico no Brasil não paga impostos, quem paga impostos aqui são os pobres, porque a principal oneração dos impostos incidem sobre o consumo dos produtos, ou seja, o pobre paga a mesma tributação que o rico.'', afirma. Isso porque não há no país uma tributação sobre o patrimônio e a herança, por exemplo.
Na gestão local, Pochmann defende algumas ações diretas nesse sentido, mas destaca: ''Sem a reformulação do sistema de cobrança tributária no Brasil não é possível uma melhor distribuição, dependemos da vontade política do legislativo.'', ressalta.


