Concedido à iniciativa privada, aeroporto ganha novo terminal
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Guarulhos - Exclusivo para operações internacionais, o terminal 3, inaugurado dia 11 de abril, contrasta com as demais áreas do Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos), por ser amplo, confortável e muito bonito. A obra custou cerca de R$ 3,5 bilhões. O valor representa 77% dos R$ 4,5 bilhões que deverão ser investidos em 20 anos pelo Consórcio Invepar, que assumiu o velho Cumbica em junho de 2012 e o rebatizou de GRU Airport. Com uma área total de 192 mil metros quadrados, o terminal foi construído em 18 meses.
Boa parte dos investimentos, segundo a gerente Mônica Trapp, foram feitos em Tecnologia da Informação (TI). "Nós tínhamos o desafio dos grandes eventos mundiais (Copa do Mundo e Olimpíadas). Tínhamos que fazer as atualizações tecnológicas para buscar eficiência operacional, proporcionando segurança e conforto aos passageiros", afirma.
Em Guarulhos, graças à prioridade dada à TI, é possível, por exemplo, que um passageiro de voo internacional chegue até o portão de embarque sem necessidade de ser atendido por funcionários. Ele faz seu check-in na máquina, despacha sozinho a bagagem, e entra na área de embarque por meio do e-gate. O portão eletrônico faz o serviço do agente da Polícia Federal de conferir o passaporte do passageiro e fazer seu reconhecimento biométrico-facial. Se não houver nenhuma restrição, o portão se abre para ele. O sistema é exclusivo para passageiros brasileiros, maiores de 18 anos, e que possuam passaporte com chip. "Fomos buscar tecnologia fora do Brasil para integrar todos os sistemas existentes antes da concessão", explica a gerente.
Segundo a concessionária, o sistema de controle de bagagem, trazido da Holanda, permite um padrão de segurança internacional. "Por meio de etiqueta, o próprio equipamento separa as bagagens e as direciona para a aeronave correta", afirma Diego Moretti, coordenador de Processo de Bagagem. Segundo ele, são cinco quilômetros de esteiras e as malas podem ser rastreadas e localizadas em tempo real. Por Guarulhos, passam 130 mil bagagens por dia.
Comércio
Quando a concessionária assumiu o aeroporto, passavam por ele 32 milhões de passageiros por ano. Em 2014, foram 39,6 milhões e até o fim do contrato de 20 anos serão 60 milhões de pessoas pagando taxas de embarque para utilizar a estrutura e os serviços de Guarulhos. Mas, segundo o diretor Marcus Santarém, os negócios no entorno da operação aeroportuária representam a maior parte da receita, que no ano passado foi de quase R$ 3 bilhões. "Quando assumimos, 60% da receita vinha das taxas. Agora, 60% são de receita não tarifária", afirma. Antes da concessão, o aeroporto tinha 102 lojas. Agora tem 239. Tinha 3,9 mil vagas de estacionamento. E agora tem 8 mil.
Segundo o diretor, a partir de junho a concessionária se dedica à revitalização dos terminais 1, 2 e 4. Os dois primeiros serão transformados num só. "Nosso maior desafio é fazer essas obras com o terminal operando", declara.
O Consórcio Invepar, composto pela empresa Investimentos e Participações em Infraestrutura (Invepar) e pela sul africana Airports Company South África (ACSA), arrematou Guarulhos por R$ 16,2 bilhões no primeiro lote de concessões de aeroportos realizado pelo governo federal em 2012. A ACSA tem 10% de participação no consórcio. Juntas, as empresas contam com 51% de participação no aeroporto. A estatal Infraero ainda detém 49%.
- Os repórteres viajaram a Guarulhos a convite da Invepar.


