Arquivo FolhaSem CFCRomanoski, da Electrolux, no lançamento do ‘refrigerador ecológico’
crédito:A fábrica de geladeiras e refrigeradores Electrolux foi condenada pelo Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária (Conar) por propaganda enganosa. O Conar determinou a retirada de uma peça publicitária que foi veiculada em março em algumas revistas de circulação nacional. A Electrolux apresentou o refrigerador como um produto que não alterava a temperatura do meio ambiente, porque não usava o gás CFC que prejudica a camada de ozônio. A representação contra a empresa foi feita pelo movimento ambientalista Greenpeace.
O anúncio trazia o seguinte texto: ‘‘isto é que é geladeira: não deixa nem a temperatura da Terra subir’’. A propaganda foi montada pela agência de publicidade DM9. A intenção do anúncio era mostrar que a empresa estava vendendo uma geladeira menos poluente, pois tinha substituído o gás CFC pelo HFC-134. O gás CFC é um dos elementos responsáveis pela destruição da camada de ozônio e por isso tem o uso condenado pelos ambientalistas.
Mas segundo o físico e coordenador de campanha do Greenpeace, Délcio Rodrigues, o HFC-134 não é produto ideal que possa ser considerado ecológico. O gás não destrói a camada de ozônio, mas provoca aumento da temperatura da Terra. ‘‘Este gás aquece 3,2 mil vezes mais que o CO2’’, afirmou Rodrigues. Ele concordou que a substituição do CFC pelo HFC já é um avanço, mas não pode ser colocado como um produto que não traz consequências danosas para o meio ambiente.
O diretor executivo do Conar, Edinei Narchi, disse que ‘‘indiscutivelmente’’ o refrigerador da Electrolux é mais ecológico do que os que ainda utilizam o CFC. Mas ele mostrou que a afirmação de que o produto não altera a temperatura da atmosfera ‘‘é falsa’’. ‘‘A frase foi uma brincadeira da propaganda, só que ainda assim há uma alteração da temperatura da Terra’’, afirmou Narchi. Para ele e para os conselheiros do Conar o anúncio se caracterizou como ‘‘propaganda enganosa’’.
A Electrolux não se pronuncia sobre a polêmica gerada com a publicidade. A assessoria de imprensa disse que a diretoria da empresa considera o ‘‘assunto encerrado’’ e que por isso não daria declarações à Folha.

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