A produção da safra nacional de grãos deve ficar em torno de 83 e 84 milhões de toneladas, contra a produção de 73 milhões de t registrada no ano passado. O comprometimento de algumas lavouras de milho e soja em função de seca localizada no Rio Grande do Sul deve ser compensado pela safra da região Nordeste no Brasil, onde a produção deve atingir 7,2 milhões de t. A estimativa é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo o presidente da Conab, Eugênio Stefanello, o aumento da safra nacional, somado à elevação da taxa de câmbio, terá reflexos positivos na comercialização de produtos exportados e importados. Ele acredita que, no caso de produtos adquiridos de outros países (algodão, milho, feijão e arroz), essa combinação reduzirá a necessidade de importação e favorecerá a venda da produção interna.
A Conab estima que importação do arroz, por exemplo, deve cair para 800 mil t neste ano, contra os 2 milhões de t compradas em 1998. A queda também deve ser significativa no caso do feijão - de 160 mil para 80 mil t - e do milho, cujas importações neste ano devem atingir 500 mil t, contra 1,5 milhão de t importadas no ano passado. ‘‘Os produtores devem vender a produção gradativamente e sem pressa, a melhor opção para acompanhar os preços de mercado e conseguir bom preço médio de venda’’, diz.
No caso do produtos exportáveis, como a soja, a aumento da taxa de câmbio aumentará a receita do produtor e de toda a cadeia produtiva. ‘‘A elevação da lucratividade, entretanto, não será proporcional à desvalorização do real’’, diz Stefanello. ‘‘O motivo é a redução da cotação internacional do produto no mesmo período, uma queda de cerca de 12%’’. O mesmo deve acontecer para outros exportados, como carne de frango, cacau e café. A exceção pode ser o suco de laranja, cuja cotação internacional pode subir em função da escassez mundial do produto.
Mercado Interno A desvalorização do real, lembra Stefanello, reflete-se também no mercado interno. Os consumidores se deparam diariamente com produtos que tiveram os preços reajustados, como a carne de frango, o óleo de soja e os derivados do trigo. ‘‘Em alguns casos os reajustes são especulativos e, em outros, consequência do aumento do dólar’’, diz Stefanello.

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