Curitiba - A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) abriu ontem concorrência pública para vender cinco armazéns no Paraná, em um negócio de pelo menos R$ 11,8 milhões. A medida faz parte de um plano de reestruturação do órgão para reduzir gastos. Em todo o Brasil foram colocados à venda 108 unidades, com capacidade total de armazenamento de 700 mil toneladas.
No Paraná, a Conab está fazendo licitação para os armazéns de Cara Cara, em Ponta Grossa, pelo preço mínimo de R$ 3,5 milhões, o de Arapongas (R$ 859 mil), Goioerê (R$ 485 mil), Francisco Beltrão (R$ 957 mil) e o armazém frigorífico na Cidade Industrial de Curitiba, pelo preço mínimo de R$ 6 milhões. Cada imóvel será vendido separadamente.
‘‘São armazéns convencionais que não estão mais atendendo as necessidades dos produtores’’, afirmou o superintendente da Conab no Paraná, Jorge Argemiro Dias. Segundo ele, os imóveis têm tecnologia muito antiga, de 20 anos atrás, quando o método de ensacamento era bastante utilizado. ‘‘Hoje a preferência é por silos e por isso não adianta ficar com vários armazéns obsoletos com custo altíssimo e deixando de aproveitar aqueles com melhor estrutura’’, explicou.
A Conab ainda vai manter cinco armazéns em funcionamento no Paraná. São eles o complexo de Ponta Grossa, com capacidade para 420 mil toneladas, o de Cambé (suporta 25 mil ton), em Apucarana (30 mil ton), Rolândia (30 mil ton) e Paranaguá (9 mil ton). De acordo com Dias, esses imóveis são mais modernos, com exceção de Paranaguá, que vai ser mantido pela função estratégica que exerce no porto. ‘‘Com isso mantemos ainda uma boa rede de armazenagem no Paranᒒ, assegurou.
A escolha dos armazéns que serão vendidos foi feita após estudos da Conab, informou Dias. ‘‘Alguns foram escolhidos porque davam prejuízo ou porque chegamos à conclusão de que não era preciso intervenção estatal’’, relatou. No Brasil todo, a Conab planeja ficar com 32 unidades, com capacidade de armazenamento de 1,6 milhão de toneladas.
Em outubro do ano passado, a Assembléia Legislativa do Paraná enviou requerimento à direção da Conab em Brasília tentando manter os imóveis sob controle estatal. Proprietários de frigoríficos afirmaram que se o controle dos armazéns passasse à iniciativa privada, os custos iriam aumentar muito.
‘‘São armazéns estratégicos, mas infelizmente as respostas que obtivemos apontavam mesmo para a alienação das unidades’’, relatou o deputado estadual Orlando Pessutti (PMDB). Para o superintendente da Conab, o órgão ainda vai manter uma boa rede de armazenamento no Estado, e por isso os produtores não serão prejudicados.

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