Conab vai estocar feijão para enxugar superoferta
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
A Conab poderá comprar 4 mil tonelada de feijão carioca (de cor) no Paraná para enxugar o excesso de oferta do produto no mercado, avaliado em 200 mil t no País, que corresponde a um mês do consumo nacional. Para isso, o superintendente da Conab/PR, Eugênio Stefanello, está reivindicando R$ 1,7 milhão para a compra do produto pelo preço mínimo, fixado em R$ 26,00 a saca.
Com a entrada da safra paranaense, os demais Estados produtores que estavam retendo o produto à espera de reação nos preços, começaram a desovar seus estoques de uma só vez o que está resultando no excesso de produto no mercado. Diante disso, o preço do feijão carioca vem caindo vertiginosamente nas últimas duas semanas. Na região de Campo Mourão e Ivaiporã o produto está sendo comercializado entre R$ 17,00 e R$ 18,00 a saca, constatou a técnica do Deral Margorette Demarchi.
Segundo Stefanello, a Conab pretende comprar o feijão do produtor para transformar em estoque regulador. Ele admite que a intenção do governo é descartar a formação de estoques, mas afirmou que a Conab vai entrar no mercado para garantir o preço mínimo ao produtor à exemplo do que fez com o milho no primeiro semestre desse ano.
Os produtores de feijão dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Goiás apostaram numa reação de preços do feijão de cor após a previsão de quebra da safra paranaense em função das chuvas que prejudicaram as lavouras paranaenses no mês passado. Só que a quebra foi menor do que a prevista, em torno de 4%, e o produto estocado há um mês nos demais Estados produtores já estava ficando velho para o mercado. Com a entrada da safra do Paraná que foi reavaliada para 430 mil t, o estoque formado começou a ser desovado. A previsão inicial do Deral previa uma safra de 450 mil t.
Para Margorette Demarchi, os analistas erraram feio ao prever uma alta de preço que não se consolidou e agora o mercado está superabastecido. O reflexo negativo dessa situação é o desestímulo do produtor que já estava planejando as próximas lavouras com mais tecnologia para produzir com qualidade, afirmou a técnica. Agora eles estão desestimulados com o prejuízo que estão tendo com a colheita. Segundo Demarchi, eles investiram em torno de R$ 24,00 a R$ 25,00 a saca, que corresponde ao custo de produção e agora no período da safra estão conseguindo no máximo R$ 18,00 a saca.


