Conab testa qualidade de 'silos bolsas'
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de março de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está testando um método para o armazenamento de grãos, forragem e fertilizantes. Trata-se do Silo Bolsa, uma espécie de armazém alternativo que poderá ser montado em qualquer área, inclusive no local da produção agrícola.
As pesquisas foram iniciadas há um ano e passam pelo acompanhamento de laboratórios. São retiradas amostras dos silos periodicamente para análise e verificação da qualidade dos grãos de milho e soja.
Os primeiros silos serão abertos hoje na Unidade Armazenadora da Conab em Ponta Grossa e amanhã na Conab de Sorriso (MT). No Paraná, o teste foi realizado com soja que está há dez meses estocada. O Silo Bolsa é uma alternativa para a carência de espaços de armazenagem no País. Cada silo mede 60 metros de comprimento por 2,75 metros de diâmetro e tem capacidade de armazenar até 180 toneladas ou 3 mil sacas de grãos.
O trabalho é resultado de uma parceria entre Conab, DuPont (fabricante do filme plástico) e o Centro Nacional de Treinamento em Armazenagem (Centreinar). A técnica já é usada na Argentina e é responsável por grande parte da armazenagem de grãos naquele país.
O silo é feito de PVC duplo e pode ser usado em ambiente externo como em fazendas para armazenagem de soja, milho, trigo e arroz com casca. O PVC é impermeável e hermético não permitindo nem a passagem de gases. Como é colocado no chão, o produtor precisa ter o cuidado de não haver nenhum tipo de material pontudo que possa danificar o silo.
De acordo com o superintendente da Conab no Paraná, Dionísio Bach, até agora, não foi constatada alteração na qualidade dos produtos armazenados nem ataque de insetos. O prazo recomendado para armazenagem é de até seis meses.
O silo é uma espécie de bolsa descartável, ou seja, depois de usado deve ser jogado fora e tem formato de mangueira. Segundo Bach, o custo da estocagem num prazo de até quatro meses é comparado ao valor gasto com tarifas para armazenagem em silos
tradicionais.
Bach explicou que o Paraná tem um potencial de produção de 27 milhões a 28 milhões de toneladas por ano. Em 2006, a previsão é de um volume de 24 milhões a 25 milhões de toneladas devido aos problemas de estiagem. A capacidade de estocagem do Estado é de 23 milhões de toneladas. Deste total, 19 milhões de toneladas é para estocagem a granel e 4 milhões de toneladas para estocagem embalada em sacas ou caixas. Ele destacou que com a estiagem não haverá problema de armazenamento mas, quando a produção atingir o potencial máximo o Estado poderá ter dificuldades neste sentido.
O assessor econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, (Faep) Carlos Augusto Albuquerque, lembrou que hoje o Porto de Paranaguá tem capacidade de armazenagem de 1,100 milhão de toneladas, sendo 100 mil toneladas só no silo público. Além deste espaço, há os silos da Conab em Ponta Grossa e de cooperativas como a Cargill, a Bunge e a ADM. Precisamos ter armazéns nas fazendas para dar independência ao produtor, disse.


