Conab reduz expectativa da colheita
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terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Mariangela Heredia Agência Estado 
BRASÍLIA - A produção brasileira de grãos deverá atingir 77,5 milhões de toneladas na atual safra, conforme indica a segunda estimativa de safra realizada este mês pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os números oficiais, que registram um aumento de 5,4% em relação à safra passada - quando a produção atingiu 73,5 milhões de toneladas de grãos - serão divulgados no início do ano pelo ministro da Agricultura, Arlindo Porto.
A estimativa da Conab revela uma produção menor do que a prevista inicialmente pelo governo, que esperava repetir o desempenho da safra recorde de 1994/95, de 80 milhões de toneladas. Sem perder o otimismo, o ministro disse acreditar que a produção brasileira ainda chegará perto deste total estimado. A Conab está sendo conservadora nos números, criticou. No primeiro levantamento de intenção de plantio da atual safra, a Conab estimou uma produção entre 76,2 milhões de toneladas e 78,5 milhões de toneladas de grãos.
Na segunda estimativa, cuja previsão costuma ser confirmada ao final da colheita, a Conab fez um levantamento da intenção de plantio na região Centro-Sul e repetiu os dados da safra anterior para a região Norte/Nordeste, as culturas de inverno e à 2ª safra de verão (feijão e milho). Na projeção global de produção do País, foram estimados aumentos da produção de feijão (6,4%), milho (6%) e soja (10,8%). A produção de algodão continuará caindo - a estimativa é de que seja 20,9% menor na atual safra - e também a de arroz, que deverá recuar de 10 milhões de toneladas para 9,5 milhões de toneladas.
O ministro garantiu que o abastecimento interno está garantido e explicou que a redução na expectativa inicial do governo deveu-se principalmente ao aumento da área plantada de soja na Região Centro-Sul, em 10,3% ou 2,3 milhões de hectares. A produtividade do milho e do arroz, culturas que geralmente dão lugar à soja, é cerca de 1.000 quilos a mais por hectare, o que pode explicar a redução na produção, avaliou.
Segundo a Conab, a expectativa inicial de expansão da área
de soja foi confirmada devido às boas perspectivas de mercado e à maior facilidade para custear o plantio, através de empresas particulares.


