Conab quer R$ 3 bi para comprar alimentos
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quarta-feira, 02 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai reativar a política de estoques reguladores do governo federal. Para isso, está propondo dobrar o orçamento do órgão para a safra 2003/2004. Se a proposta for aceita pelo governo federal, o orçamento da Conab para comprar alimentos passa de R$ 1,5 bilhão este ano para R$ 3 bilhões no ano que vem.
A informação é do presidente da Conab, Luis Carlos Guedes Pinto, que esteve ontem em Curitiba para falar sobre formação de estoques reguladores e do Plano Safra para a Agricultura Familiar. Guedes Pinto destacou que o governo federal está interrompendo a política de ''Estado mínimo'', adotada no início da década de 90, quando o poder público se afastou do mercado, para voltar a exercer sua função de regulador de mercado.
No auge da política de estoques reguladores, a Conab já chegou a administrar 12 milhões de toneladas de grãos. Quando o atual governo assumiu há seis meses, encontrou 50 mil toneladas de milho estocadas, que não dá para meio dia de consumo no País. Segundo Guedes Pinto, no curto prazo a Conab pretende estocar 3 milhões de toneladas de milho, que corresponde ao consumo brasileiro de um mês.
A Conab está reativando a política de estoques para evitar oscilações bruscas de mercado como vem acontecendo sistematicamente com o milho. ''Não é possível conviver com variações que vão de R$ 5,00 a R$ 35,00 no caso da saca de milho, num período de 12 meses'', salientou. O governo quer ter recursos para comprar o produto e garantir um preço mínimo que remunera o produtor e um preço justo para o consumidor, acrescentou. Para sustentar essa política, os produtos da safra 2003/2004 tiveram seus preços mínimos reajustados em 50%.
Para guardar os produtos adquiridos dos produtores, a Conab vai recorrer a armazéns credenciados, porque a estrutura de armazenagem que dispunha no passado também foi desestruturada, admitiu Guedes Pinto. Segundo ele, a Conab conseguiu reativar 35 armazéns este ano, mas esse número ainda é insuficiente.
O presidente da Conab adverte, no entanto, que dessa vez o governo federal vai ser rigoroso com a guarda dos estoques de alimentos, para evitar desvios e sumiço de estoques tão frequentes no passado recente. A Conab pretende processar os responsáveis por qualquer desvio de mercadoria, e incluí-los no Cadastro de Inadimplentes do Ministério da Fazenda (Cadin), que restringe o acesso a qualquer financiamento de recurso oficial.


