Conab quer comprar 150 mil toneladas de milho em leilão
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) promove amanhã cinco leilões simultâneos para compra de 150 mil toneladas de milho. O cereal será comprado nas regiões Sul e Sudeste e será levado para as regiões Norte e Nordeste, onde a escassez do produto está mais dramática. A Conab acredita que as regiões Sul e Sudeste têm estoques de milho avaliados entre 5 a 6 milhões de toneladas, que estão sendo retidos pelos produtores.
A intenção da companhia é comprar 90 mil toneladas de milho no Paraná, 30 mil toneladas em Goiás, 10 mil toneladas no Rio Grande do Sul, 10 mil toneladas em Santa Catarina e 10 mil toneladas em São Paulo. Os leilões serão feitos pelo pregão eletrônico do Banco do Brasil. A Conab pretende estimular as vendas com a oferta de preços de mercado e ajuda financeira no frete, informou Rocilda Moreira, gerente de cadeia de produção de oleaginosas e pecuária da Conab.
Conforme programação da Conab, cerca de 120 mil toneladas do total adquirido no leilão serão direcionadas para atender o programa de complementação de abastecimento das regiões Norte e Nordeste, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Zona da Mata de Minas Gerais. O órgão mantém esse programa há cerca de oito anos, para atender Estados e regiões que são tradicionais importadoras de milho, porque não têm produção suficiente para o abastecimento das granjas. Outras 30 mil toneladas serão direcionadas para o programa de venda em balcão para os pequenos criadores do Norte e Nordeste.
Para Rocilda, há estoques de milho no mercado. O que não existe é disposição dos produtores e cooperativas de vender esses estoques. Ela acredita que pela estabilidade dos preços, verificada nos últimos dias, agora é o momento ideal para o produtor disponibilizar o que resta da produção, porque essa situação pode não persistir com a proximidade da entrada de produto da próxima safra.
A gerente da Conab disse que se os produtores não desovarem os estoques, a companhia já tem propostas para importar o milho da Hungria, que chega nos portos brasileiros por R$ 31,00 a saca.


