Curitiba - O superintendente da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) no Paraná, Jorge Argemiro Dias, defendeu ontem a implantação de um cerealduto, um novo modal de transporte da soja de Ponta Grossa a Paranaguá. A solução evitaria o desgaste com a formação de filas de caminhões ao longo da BR-277 e do excesso de carga transportado pela ferrovia. ''Situação que só tende a se agravar'', afirmou.
O projeto foi apresentado a uma platéia composta por exportadores, líderes de cooperativas, produtores e integrantes do governo estadual, federal e municipal. O cerealduto foi projetado pela empresa alemã Baumer e negociado pelo Instituto Centro de Comércio Exterior do Paraná (Cexpar). A Baumer já desenvolveu projeto semelhante para transporte de cimento na Alemanha.
O presidente do conselho do Cexpar, Ozeil Moura dos Santos, disse que não há uma previsão de custo do empreendimento. Salientou, porém, que a obra terá um custo e período de execução inferior à duplicação de uma ferrovia. O cerealduto pode ser implantado em dois anos.
O cerealduto teria uma extensão de 150 quilômetros e ligaria o complexo de armazenagem que a Conab tem em Ponta Grossa diretamente com o silão do Porto de Paranaguá. O equipamento consta de uma tubulação de borracha, montado por módulos, movido à energia elétrica, que transportaria os cereais por esteira. No Paraná, o cerealduto seria instalado via aérea entre cinco e sete metros de altura, sustentado por torres por onde passaria a tubulação. O traçado ainda não é definitivo, mas a previsão é que saia de Ponta Grossa até Araucária e a partir daí, seguiria o oleoduto da Petrobras até Paranaguá.
O complexo de armazenagem da Conab, com capacidade para 420 mil toneladas, serviria como ''pulmão'' do cerealduto, que teria capacidade de transportar até 3 mil toneladas por hora, o que corresponderia um transporte de 60 mil toneladas diárias ou ''um navio por dia'', comparou Dias. Ele ressalvou que o modal não elimina o transporte rodoviário e ferroviário, ''mas certamente vai reduzir a pressão por esses dois modais''.
De acordo com Santos, o projeto só precisa da aprovação dos governos federal e estadual porque o Cexpar já tem a aprovação de bancos para o financiamento. Santos disse ainda que a entidade já foi procurada por instituições internacionais para compra do certificado de emissão de carbono, que vai deixar de ser gerado com a retirada dos caminhões no trajeto Ponta Grossa a Paranaguá.

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