Conab prevê safra maior em área menor
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
Agência Estado 
Brasília - O câmbio desfavorável às exportações, a queda dos preços agrícolas no mercado internacional e a quebra na safra passada levaram os agricultores a cortar investimentos. A área plantada na nova safra, que começou a ser cultivada em setembro, ficará menor entre 3,4% e 5,7%, segundo a primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A queda atinge a principal cultura do País, a soja. Também houve redução no plantio de trigo, algodão e arroz. Em contrapartida, aumentará a área plantada com milho e feijão. No total, a área plantada da safra 2005/2006 ficará entre 46,083 milhões a 47,214 milhões de hectares, contra 48,878 milhões de hectares da safra passada.
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto, informou que as previsões meteorológicas indicam clima normal para os próximos quatro meses, o que, se confirmado, vai favorecer as lavouras. ''Se as condições climáticas forem normais, a produtividade das lavouras voltará aos níveis históricos, pois 2005 foi um ano muito ruim em termos de produtividade'', afirmou. Por isso, mesmo havendo redução da área plantada, a produção de grãos deverá alcançar entre 121,5 milhões e 124,8 milhões de toneladas, um volume de 7,1% a 10% maior do que o da safra passada.
No ano-safra anterior, a previsão inicial era de colheita de 131 milhões de toneladas, mas o clima adverso na região Centro-Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, reduziu esse volume para 113 milhões de toneladas. Com a quebra, calculou o secretário, os produtores deixaram de receber cerca de R$ 17 bilhões.
Esse dinheiro fez falta na hora do plantio da safra e ajuda a explicar a redução da área. De acordo com os números compilados pela Conab, haverá consumo menor de fertilizantes no cultivo da safra 2005/06. No ano passado, o consumo de fertilizantes somou 22,8 milhões de toneladas. Entre janeiro a setembro, foram entregues aos produtores 13,1 milhões de toneladas de fertilizantes, uma queda de 17,7% em relação ao volume de igual período de 2004. ''Para o total do ano, estima-se volume de 19 milhões de toneladas, 16,6% abaixo do volume entregue na safra 2004/05'', informaram os técnicos da Conab. As vendas de agrotóxicos caíram 20% e as de máquinas 40%, informou Guedes Pinto. Ele também lembrou o menor uso de corretivos para o solo, insumo fundamental para as culturas do Centro-Oeste.


