Conab prevê safra de 84,5 milhões de t
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quinta-feira, 17 de dezembro de 1998
Mariângela Heredia Agência Estado 
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, divulgou ontem a segunda estimativa oficial da safra de grãos 1998/99, que prevê uma produção recorde entre 83,1 milhões de toneladas e 84,5 milhões de toneladas, um aumento entre 7,8% a 9,7% em relação à safra anterior, de 77 milhões de toneladas. Os números apurados pela Conab apresentaram uma ligeira redução em relação ao primeiro levantamento divulgado em outubro, em consequência da seca na Região Sul, que provocou perdas no plantio de milho e feijão, principalmente.
O ministro destacou que, apesar de esta ser a maior safra da história, superando a de 1994/95 - que foi de 81,2 milhões de toneladas -, a produção prevista é inferior à meta de 90 milhões de toneladas de grãos traçada pelo governo. Mas considerando a crise econômica que eclodiu na hora do plantio, até que podemos comemorar, disse. A área plantada no Brasil deverá passar dos atuais 35 milhões de hectares para 37,9 milhões de hectares, correspondendo a um aumento entre 6,7% e 8,2%. Haverá aumento na produção de arroz, feijão e milho e redução na de algodão e soja.
O presidente da Conab, Eugênio Stefanelo, divulgou também o primeiro levantamento conjunto dos países do Mercosul para os seis principais produtos que, segundo ele, representam cerca de 90% da produção de grãos e fibras - algodão, arroz, feijão, milho, soja e trigo. No total, a safra estimada atingirá 130,7 milhões de toneladas, com retração de 3,9% em relação à de 1997/98. A safra brasileira estimada para estes seis produtos é de 82,3 milhões de toneladas, com aumento de 8,9% em relação à anterior; a da Argentina é de 41,4 milhões de toneladas.
Cesta básica O aumento da produção nacional de arroz, feijão e milho deverá provocar redução nos preços da cesta básica a partir de março e diminuição das importações brasileiras, segundo Stefanelo. A previsão é que o valor da cesta básica seja reduzido dos atuais R$ 122 para R$ 116.
Segundo o presidente da Conab, o potencial de queda dos preços de arroz a partir da colheita da safra é da ordem de 30% a 40% e para o feijão está entre 40% a 50%. A produção brasileira de arroz deverá crescer mais de 30%, saindo de 8,5 milhões de toneladas na safra passada para 11 milhões de toneladas, no mínimo.
Como também haverá aumentos significativos na produção de arroz da Argentina (23,2%) e do Uruguai (34,1%) o governo brasileiro deverá comprar parte do produto nacional que começa a ser colhido em fevereiro, segundo o ministro da Agricultura, Francisco Turra.
A produção de trigo da Argentina deverá cair 31,4%, saindo de 14,7 milhões de toneladas para 10,1 milhões. Mesmo com a quebra o país continuará produzindo excedentes e exportando para o Brasil, avalia o ministro da Agricultura, Francisco Turra. Também haverá redução de 37,9% na produção argentina de milho, que cai de 19 milhões de toneladas para 11,8 milhões de toneladas, e de 8,8% no volume de soja, que deverá sair de 18,8 milhões de toneladas para 17,1 milhões de toneladas.


