Josoé de CarvalhoTurra aposta na alta imediata do milho. Ontem ele previu grande interesse no leilão de hojeO presidente da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, Francisco Turra, disse ontem que espera índice recorde de comercialização no leilão de Contratos de Opção, a ser realizado hoje, às 9 horas, no auditório Milton Alcover, no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina. ‘‘O primeiro leilão, realizado em Goiânia, comercializou 67% dos contratos oferecidos. O segundo, de Uberaba, alcançou índice de 91%. Hoje, a nossa expectativa é de atingir 100% do volume oferecido’’, afirma.
Francisco Turra chegou ontem para visita oficial à 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Segundo ele, o leilão de Contratos de Opções vai oferecer 200 mil toneladas de milho. Ele acredita que boa parte desse volume refere-se ao milho-safrinha, que começa a ser colhido em julho. ‘‘O agricultor tem interesse em garantir o preço. Além disso, ele terá algumas despesas reduzidas, como a de armazenagem. E o leilão tem mecanismos que permitem essa venda antecipada’’, disse.
DesviosO presidente da Conab também reafirmou a intenção da empresa de intensificar a fiscalização da armazenagem de estoques agrícolas do governo (tanto em AGF, quanto em EGF). O objetivo é acabar com os desvios e com a perda de qualidade dos produtos estocados.
Segundo Turra, a fiscalização realizada por técnicos da Conab e do Banco do Brasil constatou, no prazo de 12 meses, que foram desviados cerca de 436 mil toneladas de grãos, principalmente arroz e milho. Isso corresponde a aproximadamente R$ 50 milhões.
‘‘Ao constatar o desvio, descredenciamos imediatamente o armazém e entramos com notícia-crime junto à Procuradoria Geral da República, solicitando o reembolso dos prejuízos’’, explica Turra. Neste ano, a Conab encaminhou à Procuradoria 277 notícias-crime contra armazéns. Dessas, 32 são do Paraná.
As perdas ocasionadas por problemas técnicos também são expressivas. A Conab já chegou a constatar perdas em 600 mil toneladas de produtos - que estavam abaixo do padrão. Turra explica que muitos produtos acabam perdendo qualidade e até mesmo estragando por falta de condições de estocagem dos armazéns. Os desvios e a perda de qualidade foram responsáveis pelo descredenciamento de 1.040 armazéns no Brasil. O Estado que teve o maior número de descredenciamento foi o Rio Grande do Sul, com 546 unidades descredenciadas, seguido do Paraná, com 139. Esses armazéns paranaenses respondiam pela estocagem de 868 mil toneladas de grãos.
Apesar desses descredenciamentos, Turra afirma que não vai haver problema de armazenagem. ‘‘Só no Paraná, credenciamos neste ano 75 novos armazéns. O Estado conta então com 505 unidades credenciadas, mais 2.568 unidades cadastradas. Esses armazéns têm capacidade de armazenar cerca 18,3 milhões de toneladas’’, diz. Além disso, segundo o presidente da Conab, em épocas de ‘‘pico’’, a empresa pode tomar medidas emergenciais, como alugar armazéns temporariamente e utilizar espaços do IBC.
A primeira etapa de fiscalização no Paraná está sendo realizada em 350 armazéns do Estado, responsáveis pela estocagem de 594 mil toneladas. Segundo Turra, 40% desse volume já foi vistoriado e não se constatou desvios ou perda de qualidade do produto.
Classificação Turra anunciou também a mudança de critérios de classificação para alguns produtos agrícolas. Segundo ele, técnicos da Conab já estão revendo a legislação e provavelmente neste ano algumas tabelas serão mudadas. ‘‘Serão estabelecidos índices mais compatíveis com a realidade nacional. A nova classificação do arroz, por exemplo, já está quase pronta. Outros produtos, como o milho, serão estudados’’, afirma Turra. O trabalho da Conab têm acompanhamento de técnicos do Ministério da Agricultura e do Abastecimento.
Expectativa Há muita expectativa em torno do leilão de hoje. O pregão será centralizado pela Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML). O presidente da Bolsa, Antonio Abrão, disse ontem que a nova modalidade de vendas é moderna e oferece uma boa chance aos produtores, como alternativa de venda. Os analistas de mercado também constatam expectativa porque o leilão de hoje será um indicador de preços para a indústria. Os operadores de mercado estão apostando numa reação de preços. Esta reação é creditada ao mercado de opções. Eles acham também que o interesse será maior pelos contratos da safrinha de milho que ficará menos tempo no armazém, no caso de ser vendida pelo mercado de opções.

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