Brasília - O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Luís Carlos Guedes Pinto, descartou ontem a possibilidade de desabastecimento interno ou de escassez de grãos para cumprir os contratos de exportação, em consequência da quebra na safra 2003/04. A Conab divulgou ontem seu quinto levantamento para a safra 2003/04 e indicou colheita de 119,415 milhões de toneladas de grãos, uma queda de 3% na comparação com os 123,168 milhões de 2002/03.
Ele explicou que a estimativa de safra vem sendo reduzida desde outubro, quando foi feita a primeira estimativa da Conab, que previa colheita entre 124,417 milhões e 127,741 milhões de toneladas. No quarto levantamento, de abril, a expectativa já era de 120,064 milhões de toneladas.
Para o presidente da Conab, os estoques de passagem vão ajudar a equilibrar o quadro de oferta e demanda. ''Não existe risco de impacto inflacionário'', avaliou. Para o arroz em casca, o estoque final nesta safra deve ser de 1,158 milhão de toneladas. O estoque de feijão deve somar 259,9 mil toneladas e o de milho, 4,250 milhões de toneladas.
Apesar de descartar impacto nos índices de inflação, Guedes Pinto disse que, no caso do feijão, a redução na oferta ''pode elevar um pouco os preços''. O presidente da Conab observou que a produção caiu por causa dos problemas climáticos - seca no Sul do País e excesso de chuvas no Centro-Oeste. ''Mas se o clima ajudar, podemos colher 130 milhões de toneladas no próximo ano-safra'', afirmou, lembrando que uma primeira avaliação será feita em outubro.
Segundo ele, o aumento de recursos para investimento na agricultura, anunciado pelo governo no mês passado, deve resultar numa nova expansão da área plantada e, consequentemente, no aumento da produção. No total, o governo prometeu liberar R$ 39,45 bilhões para a agricultura na safra 2004/2005, um aumento de 45% em relação ao ano agrícola anterior. Do total, R$ 10,7 bilhões serão investimentos. Na safra 2003/04, a área plantada foi de 47,258 milhões de hectares. O aumento na área plantada na próxima safra será basicamente para soja e algodão, avaliou o presidente da Conab.
A soja foi a cultura mais prejudicada pelo clima adverso. A produção foi estimada pela Conab em 49,712 milhões de toneladas, queda de 4,4% na comparação com o ano-safra anterior. A previsão da colheita atual está quase 10 milhões de toneladas abaixo da estimativa inicial de outubro, quando se estimava uma produção de 56,101 milhões a 58,021 milhões de toneladas. ''No Brasil Central, houve excesso de chuva e ferrugem. Nossa avaliação preliminar é que a quebra em Mato Grosso foi resultado do excesso de chuvas. Em Goiás, o principal responsável pela quebra foi a ferrugem asiática'', disse Guedes Pinto.

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