A primeira estimativa da safra agrícola 98/99 feita pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a produção brasileira de grãos possa atingir a marca recorde de 85,59 milhões de toneladas. Se confirmada, a colheita no ano que vem será 9,7% maior que a safra 97/98, que foi de 78,04 milhões de toneladas. A safra também superaria a colheita de 81,06 milhões de toneladas de 94/95, último recorde registrado.
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse que, se o crescimento da produção agrícola se concretizar, serão criados direta e indiretamente 1 milhão de novos empregos. Os cálculos da Conab são feitos levando-se em conta condições de clima extremamente favoráveis. No ano passado, as estimativas iniciais do órgão previam uma colheita superior a 80 milhões de toneladas, o que acabou não se confirmando.
A expectativa da Conab é que, nesta safra, a área plantada no país aumente entre 4,2% e 5,9%, podendo chegar a 38,074 milhões de hectares. A área plantada na safra anterior foi de 35,93 milhões de hectares. Com o aumento da oferta, aliado aos efeitos da crise internacional, a Conab calcula que os preços dos produtos agrícolas cairão no ano que vem. As maiores quedas deverão ocorrer nos preços do arroz longo (-30%) e feijão (-30%). Com essas reduções, a Conab prevê que a cesta básica de consumo, que hoje custa R$ 121,27, passará a custar R$ 116,03 em abril do ano que vem.
Segundo as previsões do governo, o arroz será o produto com maior aumento de produção. A Conab espera que a colheita do grão fique entre 10,95 milhões de toneladas e 11,32 milhões de toneladas, o que representaria um aumento entre 28,7% e 33% em relação à safra passada. Turra disse que, se esses números se confirmarem, o país, que hoje consome cerca de 11 milhões de toneladas de arroz e é obrigado a importar o produto, passará a ser auto-suficiente. A produção está sendo estimulada, segundo a Conab, pela expectativa de bons preços para o grão e as reduções no preço da soja.
Turra afirmou que os agricultores continuam tendo dificuldades para conseguir ter acesso a crédito, principalmente com os bancos privados. Para tentar contornar esse problema, o ministro disse que o governo deve submeter à aprovação do Conselho Monetário Nacional uma proposta de aumentar de 25% para 30% a parcela dos depósitos bancários à vista que devem ser aplicados na agricultura.

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