Conab prevê aumento de 10% em 2001
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2000
Gecy Belmonte Agência Estado 
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, anunciou ontem a segunda estimativa da safra 2000/01, de 91,421 milhões de toneladas de grãos, uma produção 10,18% superior à registrada no ano passado, de 82,978 milhões de toneladas. A estimativa de área plantada, de 38,514 milhões de hectares, é 2,1% maior do que os 37,735 milhões de hectares cultivados na safra passada.
O levantamento, feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no período de 3 a 12 de dezembro, abrange a região Centro-Sul e parte da região Norte-Nordeste. Esta última ainda acrescentará dados mais precisos sobre a safra de inverno. A pesquisa refere-se à produção de arroz, soja, milho, sorgo, aveia, feijão, amendoim, girassol, trigo, cevada, centeio e algodão em caroço.
A estimativa aponta o milho como a cultura que apresentará maior crescimento, com produção total de 38,497 milhões de toneladas para a primeira safra e 3,925 milhões de toneladas referentes à safrinha. Esse volume significa um incremento de 21,67% sobre a produção da safra passada e vai garantir a auto-suficiência do mercado interno. O segundo melhor desempenho foi do algodão, com 1,437 milhão de toneladas, que promete crescer 21,07%, que também dará auto-suficiência ao abastecimento.
A soja também vem apresentando aumento de produção, da ordem de 6,75% sobre a safra passada. A estimativa de produção, de 34,531 milhões de toneladas é inferior, no entanto, à previsão do mercado, de 35 milhões de toneladas.
O ministro ressaltou que a produção de 91,4 milhões de toneladas ocorrerá praticamente sobre a mesma área plantada de dez anos atrás, quando a safra foi de 68,2 milhões de toneladas. Tal desempenho, segundo ele, significa um expressivo ganho de produtividade. Ele acredita até em maior expansão da área cultivada na atual safra, caso as condições climáticas continuem favoráveis.
A quebra de safra do feijão de 7,28% em relação ao ano passado, segundo Pratini, resultou da queda de preços, apesar das intervenções do governo, que comprou 60 mil toneladas do grão para estimular o mercado. Por causa do preço baixo do feijão na safra passada, muitos agricultores migraram para o milho, segundo o ministro.
Imposto de importação O ministro da Agricultura assegurou que a elevação da Tarifa Externa Comum (TEC) para produtos que tenham altos subsídios em seus países de origem é uma posição do governo e já conta com o apoio da Argentina. Ele explicou que a decisão sobre o aumento da TEC deverá ser tomada em junho do próximo ano, na nova reunião de cúpula do Mercosul, em Assunção. - Até lá, diz ele, a TEC que deveria ser reduzida em três pontos percentuais a partir de janeiro próximo, conforme estava previsto no acordo do Mercosul será reduzida em apenas 0,5 ponto percentual. Entre os produtos que terão a alíquota aumentada por serem altamente subsidiados em seus países de origem ele citou lácteos, arroz, alho e pêssego.
Pratini explicou ainda que de janeiro a junho todos os produtos incluídos na TEC terão uma revisão geral, conforme ficou decidido na reunião de Florianópolis. Ele também salientou que é importante aguardar a decisão do Departamento de Defesa Comercial do governo brasileiro sobre um processo de dumping nas importações de leite em pó e queijo procedentes da União Européia e da própria Argentina, o que deverá ocorrer até o final de fevereiro.
Pratini ressaltou que este processo pode ser um instrumento de negociação com a Argentina para obter apoio no aumento da TEC sobre produtos agrícolas.


