A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) leiloa hoje cinco mil contratos de opção para café, para liquidação em 15 de setembro e 14 de novembro, com preço de exercício de R$ 190,00 por saca de café arábica para a primeira data e R$ 195,00 para a segunda. Com relação ao robusta, os preços são R$ 104,00 e R$ 107,00, respectivamente.
Para o Paraná, estão disponíveis 360 contratos para cada vencimento, todos referentes ao café arábica. Cada contrato corresponde a 100 sacas. O governo exige que o produto ofertado seja tipo 6, bebida dura para melhor, com até 86 defeitos, peneira 14 acima e umidade até 12,5%.
Para participar do leilão, o produtor deve se cadastrar em uma corretora e assinar uma autorização de corretagem que credencia o corretor a participar do leilão. ''O ideal é que o cafeicultor comprometa, no máximo, 50% da produção'', orientou o corretor Marcos Bacceti, de Londrina. Utilizando essa estratégia, fica mais fácil garantir a qualidade exigida pelo governo nos lotes comprometidos no leilão.
Ele explicou que a participação no pregão gera um custo para o produtor, que desembolsa R$ 6,50 pelo registro e R$ 38,00 de comissão por contrato negociado. Além disso, paga um prêmio inicial de R$ 95,00 para o governo. ''Mas esse valor aumenta de acordo com o interesse pelo leilão'', comentou o corretor.
O governo exige que o café seja ensacado em sacaria nova, mas devolve R$ 2,80 por unidade. Também reembolsa R$ 4,37 por saca relativos ao Funrural. Em um cálculo feito para um cliente, Bacceti contabilizou que o produtor receberia um valor líquido médio de R$ 185,50 por saca.
Como a cotação do café fino, ontem em Londrina, era de R$ 145,00 a R$ 150,00 por saca, é possível que os contratos sejam comercializados com ágio. ''É uma forma de garantir um preço mais remunerador. É como se fosse um seguro'', disse, acrescentando que o produtor só exerce a opção se quiser. ''Pode ser que o preço de mercado seja melhor na época do exercício.''
Ele, inclusive, torce para que os produtores não precisem cumprir os contratos. ''Significaria que os preços de mercado estariam superiores a R$ 190,00'', afirmou. Apesar da expectativa, o corretor não arrisca um palpite sobre o comportamento dos preços no segundo semestre.
''O mercado está muito truncado pela ação dos especuladores. Não dá para prever como vai ficar'', avaliou, lembrando que a atual cotação está muito abaixo da média histórica do produto em dólar. ''A saca hoje (ontem) vale US$ 52,00, enquanto o preço histórico sempre oscilou entre US$ 75,00 e US$ 100,00''.
Produtores que adquirirem contratos para setembro devem confirmar o exercício da opção de 9 a 11 de setembro. A entrega do produto será de 16 a 30 do mesmo mês, com pagamento entre 1º e 15 de outubro. Com relação aos contratos para novembro, as datas se repetem dois meses depois.

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