DuchaO anúncio da liberação de estoques pode ser uma ducha fria no momento do plantio da nova safra A Conab só vai começar a liberar os estoques reguladores de milho no mercado quando o preço do grão atingir o valor de R$ 8,55 a saca no atacado (posto São Paulo). Antes disso, essa medida não será adotada para não prejudicar os produtores de milho que ainda têm produto em estoque e teriam os prejuízos agravados em função da depreciação de preços em função da liberação dos estoques do governo.
Esta foi a principal decisão adotada em reunião ocorrida na última 6ª feira em São Paulo entre o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito do Espirito Santo, e os representantes da agroindústria e granjas de suínos e aves.
O valor fixado leva em conta o preço mínimo de R$ 6,70 pago aos produtores mais os custos de armazenagem, custos financeiros, seguro e impostos incidentes sobre o milho. Segundo Eugenio Stefanello, da Conab-PR, esse seria o custo mínimo para o governo federal não ter prejuízos com um possível subsídio às indústrias.
Balcão Ficou decidido ainda que quando o preço do milho chegar no patamar fixado o governo vai começar a desovar os estoques através de leilões na Bolsa de Mercadorias de São Paulo para os grandes e médios criadores. Também será permitida a venda de milho em balcão para atender os mini e pequenos produtores, mas com um limite. O volume máximo para compra de milho em balcão ainda será definido pela Secretaria de Política Agrícola.
Stefanello admite que as granjas de suínos e aves estão pressionando para que o governo faça a desova dos estoques reguladores de milho, o que manteria em baixa o preço da ração. Ocorre que a cotação do milho ainda não evoluiu. Atualmente está ao redor do preço mínimo entre R$ 6,50 a R$ 6,70 a saca no Paraná, e a liberação de estoques poderia agravar o desestímulo ao plantio da cultura. O governo está sinalizando claramente que não vai contribuir para deprimir os preços para os produtores, resumiu Stefanello.
Segundo levantamento feito pela Conab o Paraná ainda tem um milhão de toneladas de milho em AGF e EGF e no Brasil são 6,3 milhões de toneladas de estoques em poder do governo. Os altos estoques de milho e os preços baixos pagos ao produtor de milho são os principais fatores de desestímulo à cultura. Só no Paraná a redução no plantio será de 16,18% segundo o Deral.
De uma área ocupada de 1,81 milhão de hectares ocupados na safra passada, a intenção de plantio na safra 97/98 está estimada em 1,52 milhão de hectares. Por conta dessa redução de plantio a produção de milho no estado será menor em aproximadamente 1,32 milhão de toneladas. Na safra passada foram colhidas 6,77 milhões de toneladas e esse ano a produção esperada é de 5,45 milhões de toneladas.

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