O Ministério da Agricultura anunciou ontem novos leilões de opção de vendas de milho. A medida visa prevenir a redução da área do produto garantindo a comercialização com preços mais firmes e rentáveis. Os leilões de opção de venda de milho terão preço de abertura de R$ 10,00 a saca, com vencimento de fevereiro a junho de 2002. No total, o governo se dispõe a comprar 3 milhões de toneladas de milho e espera com essa medida estimular e garantir a liquidez do produto, informou ontem a este jornal Sílvio Farnese, assessor de política agrícola do Ministério da Agricultura. Já no primeiro leilão, marcado para a primeira semana de setembro, em dia ainda a ser anunciado, serão ofertadas 600 mil toneladas.

''Acreditamos que os leilões favoreçam a comercialização e o preço de R$ 10,00 está dentro do esperado pelo mercado'', explicou Sílvio Farnese, referindo-se ao protocolo de intenções assinado pelas principais entidades representativas do Paraná na Agricultura que sugeriu esse preço mínimo.

Para o gerente técnico da Ocepar, Nelson Costa, a volta dos leilões deve contribuir para o setor. A desvinculação entre o milho e a soja para o financiamento agrícola, anunciado recentemente pelo ministério, também deve facilitar a comercialização do milho, afirmou Costa. ''Agora o produtor tem o limite de R$ 250 mil para o milho e R$ 150 mil para a soja, e não mais R$ 200 mil, incluindo os dois produtos''. O técnico também acredita que o mercado estará mais aquecido no ínicio da safra e que os preços variem de R$ 11,50 a R$ 12,00. Para a soja, a projeção da Ocepar é de US$ 9,5/saca, o que hoje daria R$ 24,31/saca (fechamento do dólar: R$ 2,5590).

Segundo a técnica do Deral, Vera Zardo, as últimas medidas governamentais não devem reverter a tendência de mercado de aumento da área de soja, em detrimento da do milho. ''Acreditamos que a maioria dos produtores já decidiu pela opção da soja, principalmente nas regiões onde é possível plantar o milho safrinha. Talvez, nas regiões do Centro-Sul, como Guarapuava e Ponta Grossa, a manutenção do milho seja maior, por haver mais rotação de culturas'', afirmou a técnica.

A última estimativa do Deral, no final de julho, indicou redução de 17% na área de milho (1,5 milhões de ha) e de 24% na produção (7,060 milhões de t). Para a soja, o aumento de área foi avaliado em 8,26% (3,019 milhões ha), com produção aproximada de 8,9 milhões de t.

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