A colheita do café já terminou em todo o Brasil com resultados nada animadores para os produtores do Paraná. De acordo com o último levantamento de safra realizado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a estimativa de produção para este ano no Estado é de 557 mil sacas, 66,2% inferior em relação a 2013, quando foram colhidas 1,65 milhão de sacas de café. A geada do ano passado e a forte estiagem que ocorreu no início de 2014 foram os principais fatores que proporcionaram uma colheita considerada por técnicos da Conab como atípica.
Sérgio Abel Demoner, engenheiro agrônomo e especialista em café do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), afirma que 2014 foi um ano muito difícil para os produtores. Porém, a escassez de matéria-prima tem ajudado na recuperação dos preços. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o valor médio da saca de 60 quilos de café beneficiado pago ao produtor neste mês está em R$ 402,05, contra R$ 397,63/sc em novembro e R$ 213,55/sc no comparativo com o mesmo período do ano passado. "Por causa dessa elevação no valor da saca, muitos cafeicultores estão animados com a atividade", destaca Demoner. Ele acrescenta que, devido à essa baixa produção, toda a safra deste ano já foi comercializada.
O agrônomo explica que a partir de agora o produtor que quiser continuar com a atividade cafeeira terá que investir em produtividade, já que a área de café tem sido reduzida no Estado nos últimos anos, dando lugar principalmente à produção de soja e milho. De acordo com o levantamento da Conab, a área total plantada com café no Paraná é estimada em 55,49 mil hectares, 32,3% inferior à existente na safra passada, que foi de 81,95 mil hectares, correspondendo a uma redução de 26,46 mil hectares.
A área em produção desta safra no Estado foi de 33,25 mil hectares, cerca de 60% do total cultivado. Segundo o levantamento, nos 40% restantes, que correspondem a 22,25 mil hectares, não houve colheita. De acordo com a Conab, o Norte Pioneiro possui a maior concentração de área cultivada, responsável por 49% do total produzido no Paraná. Em produtividade, a Conab calculou para esta safra em todo o Estado um total de 16,8 sacas por hectare, contra 25,33 sacas contabilizadas em 2013.
Para reverter essa situação de baixa, Demoner explica que a produtividade das lavouras de café precisam ser ampliadas para aumentar a competitividade do setor. Para isso, é necessário investir em adubação e, principalmente, em mecanização, já que a mão de obra está cada vez mais cara e escassa para os cafeicultores do Estado. Além disso, o agrônomo completa que novas tecnologias de cultivo e a aplicação de um manejo adequado trazem bons resultados para o agricultor.
Mesmo com a melhoria dos preços do café, que tem possibilitado um aumento do retorno do produtor, Demoner recomenda aos produtores diversificarem a sua produção com qualquer outro tipo de atividade, seja ela agrícola ou não. Isso, explica ele, porque o mercado de café tem uma alta oscilação, cujos preços são balizados no mercado internacional.

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